A importância da reabertura dos cinemas chineses para a indústria de filmes

Com o retorno do público às salas de exibição na China, o mercado mundial de filmes espera reverter o impacto causado pela pandemia

O gigante sistema de salas de cinemas da China começou a reabrir no final de julho deste ano, depois de ficarem fechados por mais de seis meses em razão da pandemia do novo coronavírus. Entretanto, o “novo normal” fez a capacidade de ocupação de espaços ser reduzida para somente 50%, além de vetos a consumo de alimentos e bebidas. Quem quiser frequentar os cinemas terá que usar, obrigatoriamente, máscara de proteção e passar por checagem de temperatura.

No primeiro dia de venda de ingressos foram gerados mais de 3,03 milhões de yuan (cerca de R$ 2,3 milhões), segundo dados da Maoyan, uma das principais plataformas de venda de ingressos do país. Os números não surpreendem: em 2019, a enorme indústria cinematográfica chinesa gerou mais de 64 bilhões de yuan (cerca de R$ 49,3 bilhões) em vendas de ingressos. É a segunda bilheteria mais rentável no mundo, perdendo apenas para os EUA.

Os fãs assistem à versão remasterizada em 4K 3D de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” em um cinema em Xangai - Foto: CFP

Um dos filmes que retornou ao cinema na China “pós-Covid” foi “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Relançado em formato 3D em mais de 16 mil sala, acumulou cerca de US$13,6 milhões entre os dias 14 e 17 de agosto. Com isso, o primeiro filme da famosa saga de J.K. Rowling alcançou a marca de US$1 bilhão em bilheteria internacional.

No top 20 de sucessos de público nos cinemas na China estão superproduções hollywoodianas como os últimos filmes da série “Vingadores” e da franquia “Velozes e Furiosos”. Como os efeitos da pandemia continuam fortes nos países ocidentais, a indústria cinematográfica norte-americana vê em sua forte relação com a audiência chinesa um alívio para os impactos financeiros. Desde o início do ano, inúmeras estreias precisaram ser canceladas e produções tiveram que ser interrompidas.

Um dos desafios de Hollywood para ter cada vez mais acesso ao mercado chinês está na falta de representatividade. Segundo o Hollywood Diverty Report, apenas 3% dos atores asiáticos ocuparam papéis nas produções entre 2017 e 2018. A questão é amplamente debatida e criticada por cinéfilos, já que personagens secundários orientais são vistos como decorativos ou como “alívio cômico”.

O clássico “Mulan” chega repaginado para mudar um pouco essa realidade, atraindo ainda mais os olhares da China para o cinema ocidental. Em vez de seguir a animação feita pela Disney em 1998, o live-action se baseia no famoso poema chinês “A Balada de Mulan”, escrito no século VII. O longa possui cenas de batalha marcantes que seguem a estética chinesa. Por ter sido lançado em um serviço de streaming, “Mulan” também testa a indústria tradicional do cinema, principalmente em países onde as salas de exibição continuam fechadas. No Brasil, a plataforma e o filme chegam em novembro.

Instituto CPFL realiza mostra virtual de filmes chineses

O Instituto CPFL promove a terceira edição da programação Cinema e Reflexão, que apresentará uma mostra dedicada à cinematografia chinesa. São 11 títulos, feitos entre 1937 e 2006, que mereceram aplausos do público e da crítica especializada, além de premiações em diversos eventos. 

Considerado como um dos mais prestigiados cineastas da China, detentor de mais de 130 premiações, Zhang Yimou entra em cartaz com quatro dos seus mais famosos longas-metragens:  “A História de Qiu Ju”, “Nenhum de Nós”, “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”. De Chen Kaige e Feng Xiaoning estão incluídos “Terra Amarela”’ e “A Dor do Amante Sobre o Rio Amarelo”, respectivamente. Completam a programação três obras contemporâneas de repercussão: “As Pedras Sagradas Silenciosas”, de Pema Tseden, “Palácio de Verão”, de Lou Ye, e “O Carteiro das Montanhas” (1999), de Huo Jianqi.

Saiba mais sobre a programação aqui!

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