Músicos chineses promovem intercâmbio cultural no Brasil

Imigrantes compartilham a tradicional música chinesa com brasileiros através de seus instrumentos

A música é uma das grandes paixões que brasileiros e chineses compartilham. As diferenças entre estilos e ritmos estimulam a curiosidade e fortalecem a troca cultural entre os dois povos. A música e os musicistas possuem papéis essenciais na construção da comunidade e das tradições na China.

O país é berço de um grande número de músicos e musicistas clássicos que alcançam altos patamares no cenário musical internacional. Parte do mérito vem dos estudos: aulas de instrumentos são obrigatórias para estudantes de escolas primárias, que são encorajados a continuar o aprendizado nos anos seguintes.

A grade curricular escolar sugere 3 aulas semanais de “jogos musicais” para estudantes do primeiro e segundo ano, 2 para alunos do terceiro ao quinto ano, e 1 aula por semana para estudantes a partir do sexto ano. A escuta musical é vista como um dos melhores métodos para iniciar os estudos de tom, alcance, ritmo, melodia e harmonia.

Os instrumentos indicados para a introdução musical infantil são o xiao, um modelo de flauta vertical, e o sheng, espécie de órgão “portátil”. Os instrumentos tradicionais chineses são semelhantes aos ocidentais, mas possuem sonoridade única. Podemos destacar o erhu, o guzheng e o pipa.

 

Conheça os tradicionais instrumentos musicais chineses!

 

Muitos imigrantes chineses trouxeram ao Brasil suas influências musicais, contribuindo com o intercâmbio cultural. Juliana Wu chegou ao país em 2004. A musicista toca em eventos e também como passatempo. Suas especialidades são a flauta hu-lu-si e o gu qin, considerado o precursor do guzheng. Este último tem mais de 3.000 anos e é considerado um dos mais antigos da história da China. “Minha inspiração é o amor pela vida e pela música”, conta a Sra. Wu, que já participou de programas na TV Brasil e na TV Globo com o apresentador Pedro Bial.

A Sra. Juliana Wu em algumas apresentações e com o apresentador Pedro Bial (Fotos: acervo pessoal)

A rica cultura brasileira é um dos atrativos para os imigrantes. Tony Lee conheceu o país enquanto fazia um documentário. “Conheci o samba e me apaixonei”, declara o Sr. Lee, que dá aulas de samba de gafieira para orientais. O músico se apresenta publicamente em diversos eventos tocando o sheng. Em seu currículo musical, possui diversas trilhas sonoras para películas brasileiras. Tony Lee também é ator: participou de filmes como “Made in China”, “TOC”, “Amor da trabalho”. Também atuou nas séries “Spectros” e “Boca a Boca”, que estreiam em 2020 na Netflix.

O Sr Tony Lee e seu sheng em algumas apresentações (Fotos: acervo pessoal)

A dica de ambos para aqueles que desejam estudar música é a mesma: “ame e dedique-se ao que faz, contemple sua inspiração, explore sua criatividade e execute sua arte com prazer.”

Assista à apresentação especial realizada na cerimônia de comemoração dos 20 anos do grupo Tangyun. A Sra. Wu, ao fundo, toca seu teclado (mais uma de suas especialidades), e o Sr. Lee, ao centro, toca seu sheng:

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