Os desafios da primeira missão diplomática do Brasil à China

Lançado pela Dois Por Quatro Editora, livro conta a saga da corveta Vital de Oliveira, que realizou a primeira circum-navegação brasileira do globo em missão diplomática em 1879

Foi em 1879 que D.Pedro II visitou a corveta e autorizou a saída da embarcação à China. A partida da “Vital de Oliveira” para a primeira circum-navegação brasileira foi sob o comando do capitão Júlio César de Noronha em 19 de novembro de 1879. A viagem, que aconteceu entre novembro de 1879 e janeiro de 1881, durou 438 dias. Estavam a bordo 126 marinheiros, 15 foguistas, 21 soldados navais e 12 menores aprendizes. 

A expedição tinha dois objetivos: proporcionar instrução profissional que se adquire nas viagens de longo curso aos oficiais e marinheiros embarcados. O segundo era transportar uma missão diplomática brasileira à China, que ia buscar mão de obra para a substituição do trabalho escravo no Brasil. Esta comitiva entrou no barco em Toulon, na França, e desembarcou em Hong Kong.

O navio tinha 66,66 metros de comprimento, 12,22 metros de boca e 4,15 m de calado médio. Pesava 1.400 toneladas. Contava com quatro caldeiras a carvão de dois cilindros, 86 rotações, projetadas pelos engenheiros navais Antônio Gomes de Mattos e Carlos Braconnot, e duas carvoeiras com capacidade para 150 toneladas, tinha 200 HP de potência. Sua velocidade era de 12 milhas náuticas por hora.

A rota para a China

A rota saiu do Rio de Janeiro para Lisboa (1ª etapa). Em seguida, Gibraltar, Toulon, La Valeta-ilha de Malta; Áden-Iêmen, Ponta de Galle-Ceilão, atual Sri Lanka, Hong Kong, Negasaki; Yokohma; São Francisco de Califórnia; Acapulco, Valparaíso, Lota; Huamblin, Port Otoway – hoje Porto Almirante Barroso, Punta Arenas, Motevidéu, Rio de Janeiro.

De Toulon a Hong Kong, viajaram a bordo os membros da missão diplomática que se destinavam à China, tendo todos embarcado naquele porto militar francês. A tripulação chegou a Hong Kong em 18 de junho de 1880. Neste momento, o chefe da divisão da Marinha era Artur Silveira da Motta (futuro barão de Jaceguay).

A missão diplomática desembarcou e iniciou um demorado processo de negociação. Enquanto isso, a corveta, e o que restou da tripulação, iniciou o trajeto de volta para casa, chegando ao Brasil em fevereiro de 1881.

Missão diplomática

Apesar dos esforços dos diplomatas, o “Tratado de Amizade, Comércio e Navegação” foi revisado diversas vezes, mas sem que as partes estivessem satisfeitas. Novas negociações foram feitas e finalmente, em 3 de outubro de 1881, o novo tratado foi assinado e ratificado no Brasil em 3 de junho de 1882.

Porém, nenhum chinês emigrou para o Brasil em razão do tratado. O que ele conseguiu foi estabelecer relações diplomáticas com a instalação de um consulado-geral do Brasil em Xangai, em 1883.

Tratamento a bordo

A corveta tinha pouca comida a bordo. Até o essencial foi racionado visando a diminuição de custos. Mal sabiam os 22 oficiais e 162 marinheiros que muitos deles não voltariam em razão da desnutrição, falta de higiene, e frio que sofreram na jornada. Muitos morreram.

A tripulação passava fome, frio, falta de higiene e também calor excessivo. O trabalho no navio era duro e qualquer deslize era punido com severidade. Dos 438 dias, 268 foram em navegação e 170 nos portos. E, ao final da viagem, no Rio de Janeiro, restavam 73 marinheiros e foguistas, e 10 soldados navais.

*A história é contada no livro “Primeira circum-navegação brasileira e primeira missão do Brasil à China (1879)”, da jornalista Marli Cristina Scomazzon e do pesquisador Jeff Franco, publicado pela Dois Por Quatro Editora (2020).

 

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