29 de abril de 2020

Economia pós-pandemia: como está a reabertura em outros países?

Alguns países retomam gradualmente suas atividades econômicas e trabalham para aliviar os impactos internos causados pelo novo coronavírus na economia

Depois de enfrentarem picos de contágio e de óbitos, alguns países retomam gradualmente suas atividades econômicas, priorizando a segurança da população. Descubra quais são as medidas tomadas para a reabertura:

CHINA

Na cidade de Wuhan, onde começou a pandemia, as pessoas puderam se mover e sair da cidade pela primeira vez depois de 76 dias de lockdown. Residentes com um QR Code verde fornecido pelo governo em seus telefones celulares – que significa que eles são saudáveis ​​- puderam voltar ao trabalho desde que seus empregadores lhes enviem uma carta. 

Empresas e lojas reabriram gradualmente. De acordo com o vice-prefeito de Wuhan, Hu Yabo, quase 94% das empresas retomaram as operações. Para grandes empresas industriais, a taxa excede 97%. Para as empresas de serviços, foi de 93%.

Os principais líderes da China se comprometeram em trabalhar para garantir que o setor de serviços possa normalizar as operações e incentivar o consumo, além de acelerar projetos de investimento.

ITÁLIA

A Itália apresentou no domingo (26/04) seu plano de reabertura gradual da economia e afrouxamento das normas de isolamento social. Grande parte da produção retorna já no início de maio. Os bares e restaurantes seguirão fechados por mais um tempo, mas terão liberdade para realizar um sistema de entrega, onde o cliente poderá pedir e retirar a comida no estabelecimento.

O comércio varejista será reaberto apenas no dia 18/05 para evitar horários de pico. Já cabeleireiros, clínicas de estética, bares e restaurantes terão de esperar até o dia 1/6 para retomarem as atividades.

Alguns setores considerados “estratégicos”, incluindo atividades majoritariamente orientadas para a exportação, puderam reabrir na última segunda-feira (26/4), desde que recebam liberação de prefeitos. As empresas exportadoras precisam retomar a atividade mais cedo para reduzir o risco de serem cortadas da cadeia de produção e perder negócios.

ESPANHA

No dia 13/04, o governo espanhol suspendeu algumas das restrições e permitiu a reabertura de empresas cujos funcionários não pudessem trabalhar remotamente. É permitido que trabalhadores de manufatura, construção e alguns prestadores de serviços retornem ao trabalho, mas devem seguir as rígidas diretrizes de segurança.

O governo espanhol anunciou na última terça-feira (28/04) que começará a flexibilizar a rigorosa quarentena estabelecida para barrar a propagação do coronavírus no país. Segundo o primeiro-ministro Pedro Sánchez, o processo acontecerá gradualmente e em ritmos diferentes até o final de junho. No final da atual etapa – chamada de “fase zero”, os comércios, restaurantes, hotéis e centros culturais poderão reabrir progressivamente, mas respeitando limites de frequentação e o distanciamento social.

Segundo o premiê, o fim da quarentena terá “um objetivo único e exclusivo, que é recuperar a vida cotidiana e a atividade econômica, sem colocar em risco a saúde coletiva”.

ALEMANHA

A Alemanha iniciou no dia 20/04 uma suspensão parcial das medidas de restrição em meio à pandemia de coronavírus e reabriu parte do comércio. Lojas com menos de 800 metros quadrados, além de concessionárias e livrarias, tiveram suas portas reabertas ao público. Estabelecimentos religiosos, bares, restaurantes e hotéis permanecerão fechados por tempo indeterminado. 

O sistema político descentralizado do país permitiu que alguns dos 16 estados federais avançassem ainda mais com isenções especiais para empresas locais, permitindo a abertura de grandes lojas. Foi o que ocorreu na estado mais populoso da Alemanha, Renânia do Norte-Vestfália, cujo governador Armin Laschet defende há semanas a reabertura de playgrounds, escolas e creches infantis.

A chanceler Angela Merkel afirmou que continua preocupada com um possível relaxamento da população, apesar dos bons resultados recentes.

FRANÇA

O governo francês anunciou hoje um plano para que o país flexibilize, a partir de 11/05, a quarentena decretada em todo o território nacional para combater o novo coronavírus.

Como parte do plano, lojas e mercados poderão funcionar normalmente a partir da data anunciada, mas restaurantes e bares continuarão fechados. As empresas deverão manter seus funcionários em sistemas de home office por pelo menos mais três semanas. 

Ainda há muitas dúvidas sobre como será a reabertura. Não se sabe se todas as lojas poderão reabrir e em que cidades, nem em que situações as pessoas serão obrigadas a usar máscaras. A expectativa é que isso fique mais claro depois de votação do Parlamento.

EUA

No dia 16/04, o governo dos EUA anunciou as diretrizes para a reabertura econômica, deixando na mão dos governadores a decisão sobre os prazos para a retomada das atividades. As diretrizes da Casa Branca estabelecem critérios para a reabertura gradual dos estados, como capacidade mínima hospitalar, diminuição sustentada de casos de Covid-19 por um período de pelo menos 14 dias e o alto nível de testagem da população. Esse é justamente um dos principais problemas dos EUA, ainda muito distantes de um patamar de testes considerado ideal para o início de uma retomada segura.

Vários estados têm começado a diminuir as restrições de isolamento social, em esforços para levar a população de volta ao trabalho após a esmagadora perda de empregos. Texas, Tennessee, Carolina do Sul e Geórgia, todos governados por políticos republicanos, do partido de Trump, colocaram em teste, em graus diferentes, ações para suspender o isolamento desde a semana passada. Já governadores democratas, como os de Nova York, Michigan e Califórnia, dizem que vão seguir o processo de reabertura norteados pela ciência e especialistas em saúde pública, acompanhando a queda da curva do novo vírus ao mesmo tempo em que tentam ampliar a quantidade de testes.

BRASIL

Diante da perspectiva de reabertura de estabelecimentos comerciais no próximo mês em praticamente todo o Brasil, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Abrasel decidiu instruir seus filiados para que voltem ao trabalho de forma segura. Assim, lançou nesta terça-feira (28/04), a cartilha “Como retomar as atividades – Recomendações e cuidados para uma reabertura segura de bares e restaurantes diante da crise”. 

O documento chama atenção para a necessidade de redobrar os cuidados com a higiene na cozinha, nos demais ambientes e também nos contatos entre as pessoas. Aconselha, entre outras coisas, a diminuição da capacidade de público das casas, mantendo a menos 1 metro de distância entre cadeiras e 2 metros entre as mesas; oferecer álcool em gel; reforçar higienização de pisos e superfícies; cobrir a máquina de cartões com papel-filme, facilitando a higienização após o uso; e a evitar aglomerações, controlando o acesso das pessoas.

Apesar de diversas autoridades do governo federal brasileiro serem favoráveis a reabertura econômica e ao fim do isolamento social horizontal, incluindo o próprio presidente Jair Bolsonaro, cada Estado tem feito seus próprios planos de afrouxamento das regras da quarentena e de retomada da economia.

Em São Paulo, o governador, João Doria, já anunciou a reabertura gradual da economia no estado a partir do dia 11/5. A medida de flexibilização do isolamento social será feita em etapas, com autorizações específicas para cada região do estado, de acordo com o avanço da doença. O governo ainda não informou quais estabelecimentos poderão voltar a funcionar primeiro em cada região.

Já em Santa Catarina, após uma semana da publicação de um decreto que autorizou a abertura de alguns comércios no Estado, a cidade de Blumenau registrou um aumento de 28,5% de casos de pessoas com o novo coronavírus. O decreto do governo de Santa Catarina deu permissão para que shoppings e restaurantes fossem abertos. Após a medida, diversas imagens flagraram uma multidão na reabertura de um shopping de Blumenau.

Outros estados, como o Rio de Janeiro, ensaiaram planos de reabertura do comércio, mas precisaram recuar diante do aumento do número de casos de pessoas infectadas e de óbitos em decorrência do novo coronavírus.

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