Foto: Filipe Araujo

16 de maio de 2020

Observatório do Coronavírus #104

Estudo brasileiro calcula quantas vidas foram salvas pela quarentena; No mundo, pesquisadores correm contra o tempo para encontrar a cura para a COVID-19

Foto de capa: Filipe Araujo

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Quantas vidas a quarentena já salvou em meio a pandemia do novo coronavírus no Brasil? Uma pesquisa organizada por professores e pesquisadores do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp calculou quantas pessoas foram preservadas pelo isolamento social no país. O resultado mostra que uma vida poderá ser poupada a cada 1.1 minutos, caso as medidas restritivas tenham adesão de, pelo menos, 50%.

Para chegar a esse resultado, os cientistas analisaram as taxas de transmissão do COVID-19, antes e depois do isolamento social. Com base nesses números, os estudantes calcularam quantas pessoas deixaram de ser infectadas pelo coronavírus. A análise começou no dia 23/03, primeiro dia oficial da quarentena, e os dados podem ser acessados no site da Universidade.

Autoridades de saúde no Brasil e em vários países, além da Organização Mundial da Saúde, recomendam que as populações dos países atingidos pelo novo coronavírus fiquem em casa, em quarentena e com o mínimo contato externo, para controlar e reduzir as infecções e mortes. Mesmo assim, as medidas encontram resistência. O presidente Jair Bolsonaro postou hoje em sua conta no Twitter que o isolamento social é uma “tirania”, e criticou os apoiadores da recomendação.

Nunca o mundo assistiu em tempo real ao trabalho de tanta gente para derrotar uma doença. E o maior desafio é a busca de respostas rápidas, num ritmo oposto ao da dinâmica tradicional e criteriosa das pesquisas.

A cloroquina e a hidroxicloroquina alcançaram o posto de favoritas para o combate aos sintomas logo no início do tratamento contra a doença por causa de uma pesquisa divulgada pela França. Contudo, pouco tempo depois, sua efetividade e segurança foram contestados por estudos conduzidos na China e na Europa.

A Coalizão Covid Brasil, aliança de instituições nacionais que investiga tratamentos contra a infecção, iniciará testes com medicamentos imunomoduladores, que interferem na reação do corpo ao vírus.

Na rota pela cura, a OMS capitaneia um estudo global chamado Solidarity em parceria com instituições como a brasileira Fiocruz. Além de remédios com efeito anti-inflamatório, o projeto testará diferentes esquemas com antivirais. São drogas já utilizadas para deter outros vírus, mas potencialmente tóxicas quando usadas em longo prazo. 

Para acelerar o processo de liberação dos medicamentos, as empresas estão adotando novas medidas para testes. A fase 1, que inclui a testagem em um pequeno grupo de pessoas para entender a segurança do composto avaliado e o ajuste de dosagem, e a fase 2, que averigua a eficácia em pacientes com determinada doença ou condição em um grupo maior, estão sendo realizadas simultaneamente com aprovação das entidades regulatórias. 

As fases seguintes avaliam o impacto em milhares de pacientes em mais de uma instituição e enviam os resultados a órgãos técnicos para aprovação. Com o aval das agências, estudos de acompanhamento são realizados para checar a segurança em longo prazo e detectar eventuais efeitos colaterais tardios.

Uma pesquisa inédita nos seis distritos paulistanos com maior incidência de COVID-19 mostra que até o início desta semana cerca de 5% dos moradores desenvolveram anticorpos ao vírus. O levantamento aponta também que mais de 91% dos casos de infecção estão fora das estatísticas oficiais. 

O estudo, comandado por cientistas da USP e da Unifesp, avalia se uma determinada população está próxima ou distante da chamada “imunidade de rebanho”, que é o momento em que o vírus passa a ter poucas rotas de contágio, pois a maioria das pessoas apresenta anticorpos por já ter sido contaminada. Com isso, autoridades planejam com mais precisão estratégias de flexibilização das medidas restritivas.

A pandemia levou várias startups a adaptarem suas linhas de produção para o combate à COVID-19. Entre elas está a Print It 3D, que iniciou suas atividades há 6 anos implementando os benefícios da manufatura aditiva no mercado nacional. Atualmente, está utilizando seu know-how para apoiar projetos que fabricam máscaras de proteção individual para profissionais da área médica. Em parceria com o Ibrachina e com a incubadora de empresas Igloo Network, fez a doação de 1.000 epis para o Hospital das Clínicas de SP.

 

Coronavírus no Brasil

Em apenas dois meses, a pandemia reduziu as esperanças de uma recuperação rápida da economia no país. Antes do coronavírus, o Brasil gradualmente deixava a recessão para trás e assumia uma trajetória econômica positiva, mas isso mudou com impressionante rapidez. Investimentos foram cancelados, empregos foram perdidos e empresas ameaçam fechar as portas, gerando mais desemprego. 

Alguns números confirmam o cenário. De acordo com relatório do Bank of America, o PIB brasileiro deve cair 7,7% neste ano como consequência da pandemia, configurando a pior recessão da história do país. O real já acumula uma desvalorização de 45% em relação ao dólar neste ano e há indícios de que essa trajetória de baixa vai continuar, chegando a 6 reais. A pergunta no mercado financeiro deixou o “se” e assumiu o “quando” isso acontecerá. 

Dados do IBGE apontam que a alta no desemprego no primeiro trimestre fez aumentar em 39% os pedidos de seguro-desemprego, entre março e abril. O IBGE também informa que a produção industrial no país encolheu 9,1% em março, e o risco-país foi de 95 para mais de 400 pontos aos olhos dos investidores.

De acordo com o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza mais de 218 mil casos confirmados e quase 15 mil óbitos.

 

Coronavírus no mundo

Um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Carlos III, de Madri, revelou que apenas 5% dos espanhóis contraíram o vírus e sugeriu que 90% dos casos não foram detectados pelo sistema de saúde da Espanha. Isso significa que um em cada três pessoas infectadas pelo coronavírus são assintomáticas. O país é o quinto em número de mortes pela COVID-19.

Apesar disso, países europeus já iniciaram a reabertura gradual da economia. Algumas cidades abrem seus restaurantes, outras, suas escolas, e a vida tenta retomar seu curso com cautela em um planeta paralisado pela pandemia. Os esforços estão sendo redobrados para revitalizar a economia, mergulhada em uma recessão sem precedentes. O mundo está aceitando a ideia de conviver com as limitações e com o medo impostos pela crise de saúde. Segundo a OMS, “talvez o vírus nunca vá desaparecer”.

Os EUA seguem liderando o ranking de pessoas infectadas e mortes por COVID-19 no mundo. Somente nas últimas 24 horas, o país confirmou mais de 2 mil mortes, totalizando 85.990 vítimas fatais. O país também se aproxima dos 1,5 milhão de pessoas infectadas, de acordo com dados da Universidade John Hopkins.

 

China completará em julho testes clínicos de 2ª fase das vacinas de COVID-19

A segunda fase dos testes clínicos das vacinas de COVID-19 desenvolvidas na China deve ser concluída em julho, e ainda não foram relatadas grandes reações adversas até agora. As informações são de Zeng Yixin, funcionário da Comissão Nacional de Saúde.

Os protótipos sob testes clínicos incluem uma vacina baseada em vetores de adenovírus e quatro vacinas de rastreamento rápido inativadas pela Administração Nacional dos Produtos Médicos da China. Mais de 2 mil participantes voluntários foram inoculados para esta fase dos testes clínicos, e os pesquisadores estão avaliando a segurança e eficácia das vacinas.

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Mapa de casos no país atualizado em tempo real
Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município
Gráfico do Ministério da Saúde de casos acumulados de pessoas infectadas

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