Foto: Deng Hua/Xinhua News

17 de maio de 2020

Observatório do Coronavírus #105

China já exportou mais de 50 bi de máscaras para todo o mundo; Estados brasileiros se articulam para punir quem espalha fake news

Foto de capa:  Deng Hua/Xinhua News

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A China já exportou mais de 50 bilhões de máscaras de proteção individual para todo o mundo. As iniciativas fazem parte de um esforço do gigante asiático para combater a disseminação do novo coronavírus.

Dados oficiais do governo chinês mostram que uma grande quantidade de suprimentos anti epidêmicos foi enviada para outros países desde o dia 01/03. Entre eles, 216 milhões de trajes de proteção, 81 milhões de óculos, 26 milhões de termômetros infravermelhos e 1 bilhão de pares de luvas cirúrgicas, juntamente com kits de teste COVID-19 para 162 milhões de pessoas e quase 73 mil respiradores.

O Governo da China afirmou que reforçará o controle de qualidade sobre as exportações de suprimentos de prevenção e controle epidêmicos, e que intensificará a repressão a comportamentos ilegais para garantir a exportação ordenada desses materiais.

Estados brasileiros se articulam para punir quem espalha fake news

Um levantamento feito pelo Portal de Notícias G1 aponta que 21 estados e o Distrito Federal discutem ou já aprovaram a aplicação de multa para quem divulga informações falsas na internet sobre pandemias, epidemias e endemias. A legislação abrange desinformações sobre o atual momento, com a pandemia da COVID-19.

Em 16 estados e no DF, o assunto é debatido nas Assembleias Legislativas e pode virar lei. Em cinco estados, a norma que prevê punição para quem publica fake news já está valendo: Acre, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Roraima.

Rafael Goldzweig, coordenador de pesquisa em democracia e redes sociais na Democracy Reporting International, lembra que mentiras e fake news sempre existiram na história. Mas agora há uma diferença primordial: as redes sociais dão a elas uma escala e uma velocidade nunca antes vistos e permitem campanhas de desinformação em massa. Durante a pandemia, acrescenta Goldzweig, essas informações falsas podem até levar à morte, como no caso de quem acredita que cocaína é eficaz para prevenir o vírus.

Para o advogado Ricardo Campos, professor assistente da Faculdade de Direito da Universidade Goethe de Frankfurt, “deve haver regulação de fake news” e o principal desafio é “criar uma regulação que não restrinja a liberdade de expressão”. Ele diz que o ideal é uma legislação federal, e não estadual, que abranja todos os estados e traga mais segurança jurídica e eficácia.

Para combater as notícias falsas, a Universidade Federal de Minas Gerais criou uma força-tarefa com o objetivo de abastecer a população com informações confiáveis sobre o vírus. De acordo com o sociólogo Yurij Castelfranchi, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG e membro da força-tarefa, a checagem é a melhor receita para evitar a desinformação.

Brasil torna-se 4º lugar no ranking mundial de pessoas infectadas

Na América Latina, o Brasil é um dos países onde a pandemia avança de forma mais acelerada. E a maneira como o governo brasileiro vem lidando com a crise está gerando temor e críticas entre os pares vizinhos. Nem mesmo afinidades políticas, como a existente entre Paraguai e Brasil, impedem o fechamento das fronteiras. A situação se repete com todas as divisas terrestres do país. Especialistas avaliam que as relações políticas estão sendo deixadas de lado neste momento em que a questão sanitária se mostra prioritária.

Além do combate à doença, o Brasil enfrenta também graves problemas políticos internos. Mesmo com o novo coronavírus já tendo tirado a vida de mais de 15 mil brasileiros, o inimigo número um do governo federal neste momento parecem ser os governadores, massacrados pelo presidente Jair Bolsonaro por seguirem o que recomenda a Organização Mundial da Saúde para conter a proliferação da infecção. Apesar da preocupação dos políticos, Bolsonaro os acusa de tentar “quebrar a economia para atingir o governo” e, na última semana, disse que o país está em “guerra” não contra a doença, mas contra os administradores estaduais.

O último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde contabilizou 15.633 óbitos e 233.142 casos de pessoas infectadas em todo o território nacional. O relatório mais recente da OMS informou que o número de casos do novo coronavírus confirmados oficialmente ao redor do mundo ultrapassou os 4,5 milhões. A quantidade de mortos em decorrência da COVID-19 chega perto dos 308 mil.

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Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município
Gráfico do Ministério da Saúde de casos acumulados de pessoas infectadas

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