7 de julho de 2020

Observatório do Coronavírus #157

Brasil e Uruguai fecharam um acordo para conter o avanço do coronavírus na fronteira. Presidente Jair Bolsonaro testa positivo para COVID-19, mas garante estar bem.

Foto de capa: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Há algum tempo, o Uruguai demonstra preocupação com sua proximidade do Brasil. Enquanto o país ainda não chegou a mil casos de Covid-19, na região da fronteira, no Rio Grande do Sul, já são mais de 600 pessoas infectadas. Por isso, os dois países fecharam acordo e passaram a adotar as mesmas medidas de controle da pandemia na fronteira. A iniciativa funciona, por enquanto, em forma de um projeto-piloto nas cidades de Rivera e Santana do Livramento. 

O protocolo inclui medidas iguais de higienização para os meios de transporte e para o funcionamento do comércio e dos serviços nos dois lados da fronteira. Essas ações uniformes valem também para o isolamento e a identificação de casos suspeitos e confirmados de COVID-19. Para isso, o Uruguai se comprometeu a doar os testes que vão ser aplicados nos moradores das duas cidades. As análises vão ser feitas em laboratórios brasileiros.

Foto: Reuters

O presidente Jair Bolsonaro informou hoje que seu exame para detectar se está com COVID-19 deu positivo. Bolsonaro afirmou que chegou a ter febre de 38 graus, mas que, à noite, a temperatura começou a ceder. Relatou também que sentiu mal-estar e cansaço. Ele disse que agora está se sentindo “perfeitamente bem”. De acordo com o presidente, ele tomou hidroxicloroquina, remédio que vem defendendo como tratamento para a Covid-19. Não há comprovação científica da eficácia da hidroxicloroquina para a doença.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse hoje que a entidade espera que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro “esteja bem e se recupere rapidamente” da Covid-19. Em entrevista coletiva, o chefe da agência de saúde da ONU reforçou que nenhum país está imune e “nenhum indivíduo está a salvo”.

Foto: Xinhua/Zhang Yuwei

A China está na dianteira da corrida para desenvolver uma vacina que controle a pandemia de COVID-19, e a vacina experimental da SinoVac Biotech deve se tornar a segunda do país e a terceira do mundo a entrar na fase final de testes ainda neste mês. Muitos outros países, incluindo os Estados Unidos, estão se coordenando com o setor privado para tentar vencer a corrida de desenvolvimento de uma vacina, e a China enfrenta muitos desafios. A candidata a vacina da SinoVac deverá começar a ser testada em 9 mil voluntários no Brasil, em estudo liderado pelo Instituto Butantan, no dia 20 de julho.

Foto: EPA

Pubs ingleses fecharam poucos dias após a reabertura ao saberem que alguns frequentadores deram positivo em testes para coronavírus. Os bares no Reino Unido abriram em 4 de julho, seguindo regras de distanciamento físico entre frequentadores, no que ficou conhecido como “super sábado”. Houve relatos de prisões e fechamento antecipado de locais em todo o país e cenas de pessoas aglomeradas sem distanciamento social ou máscaras, como no centro de Londres, mas a polícia disse que a maioria das pessoas agiu com responsabilidade.

No Brasil, apesar do número alto de infecções e mortes, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro também estão permitindo a reabertura de bares. No Rio, dezenas lotaram os estabelecimentos na semana passada sem distanciamento físico ou máscaras, provocando críticas.

Foto: Francisco Avia/Xinhua

De acordo com um especialista da Universidade de Oxford, “o novo coronavírus já existia em todo o mundo e eclodiu quando e onde as condições favoreceram, e não se originou na China”. Tom Jefferson, professor associado sênior do Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford e professor visitante na Universidade de Newcastle, comentou que casos já haviam sido descobertos em outras regiões longe da China, antes mesmo do vírus se disseminar. Jefferson afirmou que situações parecidas aconteceram durante a crise da Gripe Espanhola. “Em 1918, cerca de 30% da população de Samoa Ocidental morreu de gripe espanhola, e eles não tinham tido nenhuma comunicação com o mundo exterior”, acrescentou.

Na semana passada, virologistas espanhóis anunciaram a descoberta de vestígios do novo coronavírus em uma amostra de águas residuais de Barcelona coletada em março de 2019, nove meses antes da COVID-19 ser identificada na China.

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O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 20 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 167 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 1,1 milhão casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com mais de 53 mil óbitos.

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