28 de julho de 2020

Observatório do Coronavírus #178

Governo do Paraná e da China estudam parceria para testagem e produção de vacina contra COVID-19. Especialistas brasileiros debatem quais grupos terão prioridade na vacinação.

Foto de capa: Eduardo Matysiak

O Governo do Paraná está formalizando uma parceria de cooperação técnica e científica com a China que permitirá a testagem e a produção de vacina contra a Covid-19 no Estado, por meio do Instituto de Tecnologia do Paraná. O acordo foi discutido pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em reunião por videoconferência com dirigentes do laboratório Sinopharm, empresa estatal chinesa, e o ministro-conselheiro da Embaixada da China no Brasil, QU Yuhui. 

Ratinho Junior explicou que agora um grupo de trabalho será formado entre as partes para definir detalhes técnicos da parceria, como a elaboração do termo científico regulatório e protocolo de validação por parte da Secretaria de Estado da Saúde. A intenção é que o Paraná seja incluído na terceira fase de testagem da vacina experimental da Sinopharm, que começou neste mês nos Emirados Árabes Unidos.

Foto: Getty

Quando a vacina contra a Covid-19 estiver liberada, cada país receberá doses correspondentes a 20% de sua população, se aderir à iniciativa internacional Covax Facility, que busca facilitar o acesso mundial às doses, até agosto. Segundo os especialistas, as primeiras pessoas a receber as doses serão os profissionais de saúde.  As divergências surgem na segunda etapa: os grupos de risco. Alguns acreditam que o melhor é vacinar as pessoas com mais de 60 anos ou com patologias prévias, como diabetes ou problemas cardíacos. Outros apostam nas crianças, já que, principalmente no caso de voltarem às escolas, sua imunização evitaria o contágio dos mais velhos.

O que os testes já demonstraram é que os protótipos de vacinas desenvolvidos são seguros. As vacinas que estão na fase clínica III não têm efeitos colaterais graves. Mas as incertezas ainda são muito grandes. A vacina de Oxford, uma das mais avançadas, foi testada em pessoas com idades entre 18 e 55 anos, e sua eficácia e seu impacto em populações fora desta faixa ainda não foram medidos. “Falta tempo e é preciso reduzir a faixa etária”, explica Rafael Vilasanjuan, diretor de Análise e Desenvolvimento do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal).

Foto: Getty

Enquanto cientistas do mundo inteiro se esforçam para criar uma vacina contra a covid-19, outras linhas de pesquisa investigam a eficácia de tratamentos já existentes. Um exemplo seria a BCG, vacina que já existe no Brasil desde 1976 e age contra formas mais graves de tuberculose.

Pesquisadores australianos investigam se a vacina tem alguma forma de ação contra a covid-19. Testes já estão em andamento, inclusive no Brasil. Cerca de 2 mil voluntários — profissionais da área de saúde de Campo Grande — receberam doses da BCG em testes.

Foto: Agencies

A China Southern é a mais recente companhia aérea chinesa a oferecer acordos ultra baratos a fim de atrair viajantes após os bloqueios decorrentes da pandemia do novo coronavírus. Até agora, pelo menos oito companhias aéreas chinesas lançaram esquemas similares que, segundo suas expectativas, vão impulsionar o setor de aviação doméstica no país.

A Lucky Air, que divulgou ofertas para voos domésticos ilimitados em 13 de julho, anunciou dois dias depois que havia atingido a capacidade de passes mensais e sazonais para passageiros. As ofertas, válidas entre um mês e um ano, começam em 1.588 yuanes (US$ 227) por pessoa, para voos ilimitados durante 31 dias. Outros exemplos atrativos são o pacote da Spring Airlines para crianças que viajam com seus pais e os voos ilimitados de finais de semana da China Eastern.

Com a maioria dos casos da Covid-19 registrada em regiões com maior população negra e hispânica nos Estados Unidos, pesquisadores examinaram se há relação entre raça/etnia e renda com as infecções e mortes pelo coronavírus no país. Eles concluíram que, apesar de ser um agravante, a renda não é fator determinante para explicar a disparidade da pandemia entre os negros.

Ao analisarem dados do censo nacional e dos registros da Covid-19 feito pelo CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência ligada ao Departamento de Saúde), o estudo observou que, mesmo entre as regiões com renda média a alta, as comunidades predominantemente negras têm maiores registros, com cerca de três vezes mais de casos e mortes de coronavírus do que o registrado em bairros de maioria branca.

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O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 23 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 167 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 1,1 milhão casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com mais de 53 mil óbitos.

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