8 de agosto de 2020

Observatório do Coronavírus #189

Brasil se aproxima dos 100 mil óbitos por COVID-19. Especialistas afirmam que número pode dobrar até outubro.

Foto de capa: Bruno Kelly

Brasil caminha para superar, neste sábado (8/8), as 100.000 mortes, número simbólico que evidencia a tragédia vivida pela América Latina, que se tornou a região mais afetada pela pandemia de coronavírus, após ultrapassar a Europa em termos de óbitos. América Latina e Caribe registram 215.859 mortes, 3.000 a mais que a Europa (212.794), de acordo com uma contagem da AFP com base em dados oficiais deste sábado às 8h.

O gigante latino-americano, com 212 milhões de habitantes, também lidera o número de infectados na região, com cerca de três milhões, e suas taxas de mortalidade pela COVID-19 podem dobrar até meados de outubro, segundo especialistas. O Brasil só é superado pelos Estados Unidos, que na sexta-feira registrou 1.062 mortes e já acumula mais de 161 mil óbitos e 4,8 milhões de infectados, segundo a Universidade John Hopkins.

Segundo Domingos Alves, coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, o Brasil deve chegar a 200 mil óbitos pelo novo coronavírus na primeira quinzena de outubro. O especialista destacou que a falta de medidas mais estritas do governo para reduzir o contágio teve consequências graves no país.

O Governo Federal também suspendeu de forma precipitada o isolamento social, que poderia ter sido crucial para a diminuição dos casos de Covid-19, ainda de acordo com Alves. Mesmo com o número elevado de casos ainda há grande subnotificação, pois o país é o que menos faz testagens. O coordenador disse que o número de casos de coronavírus no Brasil pode ser de seis a sete vezes maior que o divulgado.

Foto: Mauro Schaefer

Uma denúncia contra o Estado do Rio Grande do Sul foi encaminhada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos devido aos casos de coronavírus verificados em dois hospitais psiquiátricos. A denúncia foi formulada pelo Fórum Gaúcho de Saúde Mental, com base nos relato de funcionários. Conforme o órgão, a situação é de “gravidade sanitária” nos hospitais São Pedro, em Porto Alegre, e Colônia de Itapuã, em Viamão. Até ontem, nove mortes haviam sido registradas nos dois hospitais. O fórum pede medidas cautelares, a serem encaminhadas ao governo estadual, responsável pelos dois hospitais.

Foto: Xinhua/Zhang Yuwei

Seis candidatos à vacina contra a COVID-19, incluindo três laboratórios da China, entraram na fase 3 de testes, anunciou a Organização Mundial da Saúde. Os três candidatos chineses são a Sinovac, o Instituto de Produtos Biológicos/Sinopharm de Wuhan e o Instituto de Produtos Biológicos /Sinopharm de Beijing, revelou Michael Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma coletiva de imprensa virtual. 

No entanto, “a fase 3 não quer dizer que estamos quase lá”, disse ele, pois “não há garantia de que qualquer uma destas seis candidatas vai nos trazer a solução”. Ao todo, 165 candidatos a vacinas já iniciaram algumas formas de testes, e 26 deles realizaram estudos clínicos, de acordo com os registros da OMS.

Foto: Stephane Mahe/Reuters

De acordo com a agência europeia de controle de doenças transmissíveis (ECDC), a reabertura de escolas no continente não elevou contágio por coronavírus. Eles começaram a fechar as escolas em março e, no final de abril, 80% dos governos haviam parado as creches e pré-escolas, 90%, o ensino primário (de 5 a 11 anos) e 100% o ensino secundário (de 12 a 18 anos). Quatro países (Estônia, Finlândia, Islândia e Suécia) nunca encerraram pré-escolas, e dois mantiveram abertas também as primárias (Islândia e Suécia).

Não há parâmetros para comparar a situação brasileira com a europeia, porque a doença atingiu os territórios em momentos diferentes, com outro grau de conhecimento sobre sua dinâmica, prevenção e tratamento. Além disso, a Europa adotou restrições duras, derrubou rapidamente o número de novos casos e implantou um sistema eficiente de testes e rastreamento, com raras exceções.

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O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 50 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 167 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 1,1 milhão casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com mais de 53 mil óbitos.

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