20 de agosto de 2020

Observatório do Coronavírus #201

Pesquisadores brasileiros desenvolvem sistema que identifica coronavírus no ar. Imperial College identifica taxa de transmissão menor que 1 no Brasil.

Foto de capa: Douglas Magno/AFP

Um sistema que permite capturar amostras do novo coronavírus no ar foi desenvolvido em colaboração entre a Omni-electronica e o Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). De acordo com os pesquisadores envolvidos na novidade, os resultados do projeto, que poderá ser útil na retomada das atividades econômicas, estão sendo preparados para publicação em periódico científico.

Utilizando o serviço de monitoramento da qualidade do ar SPIRI, criado pela própria companhia, e coletando diferentes amostragens da instituição de saúde durante 2 meses, a equipe se valeu de um aparelho que tinha, entre outros componentes, uma membrana filtrante de politetrafluoretileno, capaz de reter unidades do vírus.

Em ambientes com alta incidência de bioaerossóis, como aqueles em que são realizadas traqueostomias e intubações, foram necessárias ao menos 8 horas para identificar o microrganismo em testes PCR, feitos por um laboratório parceiro.

Foto: Victor Moriyama

Pela primeira vez desde abril, o relatório semanal do Imperial College London aponta uma taxa de transmissão (R0) menor do que 1 no Brasil– ou seja, uma desaceleração da disseminação da Covid-19 no país. O dado representa uma perspectiva de curto prazo, que pode ser revertida de acordo com o comportamento da população e/ou do vírus.

Também simbolizado por Rt, o “ritmo de contágio” é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Como está abaixo de 1, a previsão é que a doença passe a declinar.

Foto: China Daily

Liu Jingzhen, presidente do Grupo Farmacêutico Nacional Chinês (Sinopharm) afirmou que a vacina do laboratório pode estar disponível ainda este ano e com um custo bem acessível. Segundo Jingzhen, o medicamento pode estar pronto para ser comercializado “provavelmente em dezembro” e o tratamento completo – que inclui duas doses da vacina – deve custar menos de R$ 800. Entretanto, o executivo não esclareceu se o serviço público de saúde da China irá cobrir apenas parte desse custo, ou se a vacina será incluída no programa gratuito de vacinação do país. Ele apenas disse que “nem toda a população chinesa terá que se vacinar” e que a empresa está estabelecendo que trabalhadores das grandes cidades devem ter prioridades na hora de receber a vacina.

A vacina russa para a Covid-19 deverá dar imunidade à doença por no mínimo 2 anos, anunciou nesta quinta-feira (20) o Instituto Gamaleya, em Moscou, que desenvolveu a vacina, batizada de “Sputnik V”. A vacina foi registrada na semana passada pelo governo russo, mas, até agora, não foram publicados estudos que mostrem os resultados dos testes da imunização. Por isso, ela é vista com desconfiança pela comunidade internacional. O Gamaleya também anunciou que a vacina deverá ser aplicada, a partir da semana que vem, em mais de 40 mil pessoas em 45 centros médicos na Rússia, como parte dos ensaios de fase 3. A vacinação em massa tem previsão de começar em outubro no país, e a exportação, em novembro.

As autoridades da China permitiram o retorno parcial de torcedores aos estádios de futebol. O duelo entre Beijing Guoan e Shanghai SIPG, pela liga local, será o primeiro com público desde o início da pandemia do novo coronavírus. O jornal chinês “Beijing Youth Daily” revelou nesta quinta-feira (20) que a quantidade de torcedores aumentará para 1,9 mil, já que as autoridades também permitiram a entrada de médicos e enfermeiros que trabalharam na linha de frente na luta contra a Covid-19. Para acessar o estádio, os torcedores deverão passar uma verificação de temperatura, apresentar um certificado que comprove o teste negativo do coronavírus, usar máscara e manter pelo menos uma distância de um metro. 

ACOMPANHE O STATUS DO CORONAVÍRUS EM TEMPO REAL

O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 49 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 167 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 1,1 milhão casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com mais de 53 mil óbitos.

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