12 de outubro de 2020

Observatório do Coronavírus #232

Brasil chega a 5 milhões de casos e 150 mil óbitos por COVID-19. Segunda onda de contágio atinge a Europa.

Foto de capa: Xinhua/Rahel Patrasso

O Brasil registrou ontem 12.342 novos casos e 290 mortes por covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, segundo informações do Ministério da Saúde. Com a atualização, o País soma 150.488 óbitos e 5.094.979 infecções confirmadas desde a primeira notificação da doença em território nacional, registrada em 26 de fevereiro.

Ainda de acordo com o balanço oficial do governo, 4.470.163 pessoas se curaram da covid-19 e outros 2.281 casos estão em acompanhamento. A taxa de letalidade da infecção no Brasil é de 3%.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o mundo registou mais de 378 mil novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas e bateu recorde de infecções diárias pelo terceiro dia consecutivo. Além disso, foram registradas mais de 8.500 mortes causadas pela doença nesse período.

Foto: Mercamadrid/Handout via Xinhua

O Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC na sigla em inglês) alertou que praticamente em todos os países que monitora (os do Espaço Econômico Europeu e do Reino Unido) os casos registrados aumentaram em relação à semana anterior. Ou seja, a tendência é de alta. 

A Espanha foi a exceção durante o mês de agosto. Os contágios da covid-19 cresciam pouco a pouco, mas de forma constante, enquanto o restante da Europa olhava com preocupação para o seu vizinho do sul. Com a curva em alta, o país estava claramente em uma segunda onda, diferente da primeira, mas também preocupante. Foi uma questão de tempo até que o restante da Europa sucumbisse a este segundo ataque do coronavírus. França, Reino Unido, Alemanha e República Tcheca estão registrando números recorde. A Itália prepara novas medidas restritivas ao ultrapassar 5.000 infecções diárias pela primeira vez.

Foto: Xinhua

A cidade chinesa de Qingdao está testando toda a sua população de 9 milhões de pessoas para a covid-19 em um período de cinco dias. A testagem em massa ocorre após a descoberta de uma dúzia de casos ligados a um hospital que trata de pacientes com coronavírus vindos do exterior. A medida não é inédita. Em maio, a China testou toda a população da cidade de Wuhan — 11 milhões de pessoas, epicentro da pandemia global.

O país conseguiu controlar o vírus, diferentemente de outras partes do mundo, onde ainda há um grande número de casos e restrições de circulação de graus variados. Em um comunicado publicado na rede social chinesa Weibo, a Comissão Municipal de Saúde de Qingdao disse que seis novos casos e seis assintomáticos foram descobertos. Todos os casos estavam ligados ao mesmo hospital, disse o jornal chinês Global Times. As autoridades chinesas agora têm uma estratégia de testagem em massa, mesmo quando um novo aglomerado de coronavírus parece ser relativamente menor.

O vírus responsável pela covid-19 pode permanecer infeccioso em superfícies como notas de dinheiro, telas de celulares e aço inoxidável por até 28 dias, dizem pesquisadores. A descoberta da agência científica nacional da Austrália sugerem que o SARS-Cov-2 pode sobreviver em superfícies por muito mais tempo do que se pensava. No entanto, alguns especialistas duvidam da real ameaça representada pela transmissão por superfícies. O vírus é mais comumente transmitido quando as pessoas tossem, espirram ou falam.

A última pesquisa da agência australiana CSIRO revelou que o vírus era “extremamente robusto”, sobrevivendo por 28 dias em superfícies lisas, como vidro usado para fabricar telas de telefones celulares, além de notas de papel e plástico, quando mantidos a 20° C — considerada temperatura ambiente. Em comparação, o vírus da gripe pode sobreviver nas mesmas circunstâncias por 17 dias.

Foto: Xinhua/Cheng Min

Enquanto muitos países da Europa estão voltando a restringir atividades sociais e determinando isolamentos após registrarem aumentos recordes de casos, a Nova Zelândia, por exemplo, passou ao seu nível de alerta mais baixo. No entanto, essa estratégia para lidar com o coronavírus é, na opinião de diversos cientistas, limitada demais para deter o avanço da doença.

“Todas as nossas intervenções se concentraram em cortar as rotas de transmissão viral para controlar a disseminação do patógeno”, escreveu recentemente em um editorial Richard Horton, editor-chefe da prestigiosa revista científica The Lancet.

Por um lado, diz Horton, existe o Sars-CoV-2 e, por outro, uma série de doenças não transmissíveis. E esses dois elementos interagem em um contexto social e ambiental caracterizado por profunda desigualdade social. Essas condições, argumenta Horton, exacerbam o impacto dessas doenças e, portanto, devemos considerar a Covid-19 não como uma pandemia, mas como uma sindemia. Não é uma simples mudança de terminologia: entender a crise de saúde que vivemos a partir de um quadro conceitual mais amplo abre caminho para encontrar soluções mais adequadas.

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O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 12 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 267 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 3,5 milhões de casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com quase 113 mil óbitos.

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