16 de outubro de 2020

Observatório do Coronavírus #234

Ministério da Saúde apresenta cronograma para vacinação contra COVID-19, com início previsto para abril de 2021.

Foto de capa: Xinhua

O Ministério da Saúde apresentou um cronograma para vacinação contra Covid-19. Essa agenda prevê o início de uma campanha de vacinação nacional em abril de 2021. Porém, a vacina experimental desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan ficou de fora da lista.

O cronograma foi definido pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). Ele prevê a utilização da vacina de Oxford, que está sendo desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e das doses fornecidas pelo consórcio internacional Covax Facility.

Após o anúncio da pasta, alguns representantes dos estados mostraram-se descontentes com a decisão, segundo a Folha de São Paulo. O secretário de Saúde de São Paulo, por exemplo, criticou a decisão. Jean Gorinchteyn disse acreditar que “as vacinas não estão sendo tratadas de forma republicana pelo Ministério da Saúde”. “Todos os presentes na reunião entenderam da mesma forma. A vacina de São Paulo está sendo ignorada”, completou o secretário.

Com ao menos três vacinas candidatas em grau elevado de desenvolvimento contra a Covid-19 — uma delas a Coronavac, criada juntamente com o Instituto Butantã, de São Paulo — a China acredita que não fará mal algum se garantir com algum produto privado. Com isso em mente, o laboratório Kangtai Bio fechou um acordo com a AstraZeneca para produzir e distribuir na China as vacinas que estão sendo desenvolvidas pelo laboratório, em parceria com a Universidade de Oxford e a Fiocruz, aqui no Brasil.

O número de mortos pela Covid-19 no Brasil deve chegar a 175 mil em janeiro de 2021, segundo projeção da Universidade de Washington. Com a margem de erro, esse número pode variar entre 170 mil e 181 mil. No mundo todo, o instituto estima que a marca de 2 milhões de mortos deve ser alcançada em 4 de janeiro.

O cálculo leva em consideração um cenário semelhante ao atual, com flexibilização do distanciamento social e uso de máscara estimado em dois terços da população.

Para Guilherme Werneck, epidemiologista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), as previsões dos americanos batem com outros estudos feitos fora e no Brasil. Segundo ele, “é difícil não alcançar um número próximo desse”.

“O tempo corre” na Europa diante do aumento de infecções, internações hospitalares e mortes por coronavírus, situação “muito preocupante” segundo a OMS, que considera as restrições essenciais para afastar o fantasma de um novo confinamento geral.

Os pontos quentes no mapa da Europa aumentam a cada dia, assim como as más notícias vindas de países que conseguiram derrotar a primeira onda, como a Alemanha.

“Aumenta o número de casos diários, as internações hospitalares também. A Covid já é a quinta causa de morte e já atingiu o nível de 1.000 mortes por dia”, enumerou o diretor da seção Europa da Organização Mundial do Saúde (OMS), Hans Kluge, nesta quinta-feira.

A RFI entrevistou o médico virologista Christian Bréchot, presidente da Global Virus Network, que reúne cientistas do mundo inteiro, e ex-presidente do Instituto Pasteur, para analisar as diferenças entre a Europa e a Ásia nas medidas de contenção do vírus.

Para ele, o fato de a segunda onda atingir atualmente mais a Europa que a Ásia é multifatorial. “Há claramente diferenças culturais entre a Ásia e a Europa: lá, o uso de máscara existe há muito tempo, são populações que já são traumatizadas pelo primeiro SARS, em 2003/2004, e por epidemias severas de gripe, mas isso não explica tudo”, enumera o pesquisador, completando que na Ásia há, em geral, um senso cívico mais desenvolvido.

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O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 28 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 267 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 3,5 milhões de casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com quase 113 mil óbitos.

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