30 de outubro de 2020

Observatório do Coronavírus #240

Anvisa afirma que Brasil terá vacina contra COVID-19 até junho de 2021 e aprova importação de insumos chineses para produção do imunizante.

Foto de capa: Xinhua/Rahel Patrasso

O Brasil espera ter uma vacina contra a Covid-19, aprovada e pronta para uso em um programa nacional de imunização, até junho de 2021, disse o chefe da Anvisa, Antônio Barra Torres. 

Com um dos piores surtos de coronavírus no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia, o Brasil se tornou um campo de testes chave para vacinas e aprovou testes clínicos em estágio final para quatro possíveis imunizantes que estão em desenvolvimento. Eles estão sendo pesquisados pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca; pela Sinovac Biotech; pela Pfizer Inc em parceria com a BioNTech; e pela subsidiária farmacêutica da Johnson & Johnson, a Janssen.

Na última quarta-feira, 28, a Anvisa autorizou a importação de insumos chineses para a produção da vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório Sinovac-Biotech. A solicitação foi feita pelo Butantan há semanas e autorizada, agora, “em caráter excepcional”, diz a Anvisa, “para fabricação da vacina adsorvida Covid-19 (inativa), em estudo clínico fase III, ainda sem registro no Brasil. Os estudos ainda estão em andamento e não existe previsão de data para a vacinação.”, completa a nota.

Segundo a Agência, o tema foi debatido em um conselho deliberativo entre ontem e hoje. A decisão levou em conta a certeza dada pelo Butantan que o imunizante só seria distribuído à população se houver o “deferimento do registro da vacina pela Anvisa” e o acompanhamento póstumo do fármaco na população.

Os brasileiros são mais resistentes a se vacinarem contra a Covid-19 se o imunizante for produzido pela China ou pela Rússia. É o que mostra um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública da Universidade de Brasília (CPS/UnB). De acordo com o levantamento, 78% dos entrevistados afirmaram ter alguma ou muita chance de se vacinar quando não houve indicação da origem de produção da droga. Mas a associação da substância com a China reduz em 16,4% a intenção de vacinação dos brasileiros. Ao considerar que a produção do imunizante tenha origem russa a redução é de 14%. A rejeição é menor considerando que seja produzido nos Estados Unidos (-7,9%) ou pela Universidade de Oxford, do Reino Unido (-7,4%).

Enquanto a Europa volta a se fechar para conter a segunda onda da covid-19, o Brasil continua estável na primeira, sem previsão de queda ou aumento significativo do número de casos a curto prazo. O caso do Brasil é único no mundo e intriga infectologistas, epidemiologistas e estatísticos. Segundo os especialistas, o País ainda está longe de debelar a primeira onda. A segunda onda só ocorre depois de um primeiro pico infeccioso agudo, seguido de uma queda considerável no número de casos e mortes, chegando praticamente a zero. Subitamente, há um aumento importante dos registros, superior a 50%. É o que está acontecendo em vários países da Europa, como França, Espanha e Alemanha, que voltaram a anunciar medidas de lockdown para conter a disseminação do vírus.

Para a surpresa de muitos, Wuhan – onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez, há quase um ano – agora se tornou um dos principais pontos turísticos da China. Somente durante a Semana Dourada, período festivo do gigante asiático que vai de 1 a 7 de outubro, a Província de Hubei atraiu mais de 52 milhões de turistas que geraram receitas de aproximadamente US$ 5,2 bilhões, o equivalente a R$ 29 bilhões. E Wuhan, a capital regional, recebeu quase 19 milhões de visitantes, segundo dados do Departamento de Cultura e Turismo da Província. O governo chinês garante que em Wuhan não há um único caso de coronavírus. No entanto, várias organizações e especialistas acreditam que essa afirmação deve ser vista com cautela.

ACOMPANHE O STATUS DO CORONAVÍRUS EM TEMPO REAL

O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 26 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 267 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 3,5 milhões de casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com quase 113 mil óbitos.

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