12 de março de 2021

Observatório do Coronavírus #293

Vacinação: quando o Brasil começará a ver os efeitos positivos?

Especialistas alertam que ainda vai demorar para o Brasil atingir índices como o de Israel, um exemplo na campanha de vacinação, ou como os Estados Unidos, que começaram a liberar atividades para pessoas vacinadas. Ainda temos poucas doses disponíveis e vacinamos menos de 5% dos grupos prioritários.

Mas, apesar de tantas incertezas, o Brasil pode, se tudo der certo e em um cenário muito otimista, chegar a 70% das pessoas com mais de 18 anos vacinadas no último trimestre deste ano. O “tudo dar certo” significa ter as milhões de doses prometidas nos cronogramas do Ministério da Saúde. Até setembro, o governo prevê receber cerca de 225 milhões de doses. Isso é referente às doses contratadas, sem somar as intenções e negociações.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anunciou nesta sexta-feira (12), a abertura de 555 leitos para a Covid-19 na cidade e a suspensão de aulas presenciais na rede municipal e privada a partir de quarta-feira (17). Diante do agravamento da pandemia e mudança no perfil dos internados, o Secretário de Saúde, Edson Aparecido, fez um apelo para que os jovens busquem os atendimentos médicos caso tenham sintomas.

Os 555 leitos anunciados pela Prefeitura se dividem entre vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e enfermarias. Serão abertos 130 leitos de UTI na próxima segunda-feira nos hospitais do M’Boi Mirim, Guarapiranga e São Luiz Gonzaga. E 185 leitos de enfermaria na próxima semana, nos hospitais Cantareira, Capela do Socorro e Sorocabana.

A Prefeitura também anunciou que serão suspensas todas as cirurgias eletivas nos 16 hospitais-dia da cidade e atualizou os dados de testes realizados na população. Os exames indicam 25% de prevalência do vírus. Ou seja, um quarto da população na cidade de São Paulo já teve contato com o vírus.

O Governador João Doria anunciou na quinta-feira (11) a implantação da Fase Emergencial do Plano SP, com aumento das restrições em 14 atividades, colocando mais 4 milhões de pessoas em restrições adicionais (entre pessoas empregadas e movimentadas). Além de só permitir o funcionamento de serviços essenciais (como farmácias, supermercados e postos de gasolina), o estado determinou, pela primeira vez, um toque de recolher.

A partir da segunda-feira (15), fica proibido circular nas ruas em todo o estado, das 20:00 às 5:00 sem que haja um motivo justificável, como voltar do trabalho ou ir a um atendimento médico urgente, por exemplo. A chamada “fase emergencial” tem duração de, pelo menos, duas semanas, se estendendo até o dia 30 de março.

As restrições em SP não param por aí. Ficam suspensas também as atividades presenciais nas escolas estaduais e estão proibidos os cultos religiosos e jogos de futebol. O governo instaurou ainda a obrigatoriedade do trabalho remoto (home office) para todos os serviços administrativos.

As restrições envolvem outros setores que até então eram considerados essenciais. Lojas de materiais de construção, por exemplo, ficam proibidas de abrir. Outra alteração é a retirada de alimentos em restaurantes, que passa a ser proibida. A modalidade delivery está permitida, e a de drive-thru somente das 5:00 às 20:00. As praias e parques ficam fechados a partir da quinta-feira (11).

Todos os adultos dos Estados Unidos poderão receber a primeira dose de uma vacina contra a Covid-19 a partir do dia 1º de maio, prevê o presidente Joe Biden, que anunciou a data na noite da quinta-feira (11), em seu primeiro discurso em rede nacional no horário nobre, marcando seus 50 dias no cargo.

A fala também registrou um ano da pandemia no país e serviu como uma oportunidade de levar esperança aos norte-americanos. Biden anunciou também medidas para acelerar as vacinações, com ampliação no número de lugares e pessoas aptas a aplicar os imunizantes, tendo como meta permitir que americanos protegidos inclusive com a segunda dose possam se reunir para celebrar já o feriado nacional de 4 de Julho, Dia da Independência.

O Brasil, enfim, começa a se dar conta da gravidade do colapso que vive durante a pandemia do coronavírus. Setores econômicos, governadores, ministros do Supremo Tribunal Federal e até aliados do Governo no Congresso têm engrossado o coro na pressão por medidas nacionais mais efetivas para enfrentar a crise, que está no seu momento mais crítico e tem um dos piores indicadores do mundo.

Na terça-feira, o país registrou mais de 2.000 mortes em 24 horas pelo segundo dia consecutivo. Durante a semana, ultrapassou os Estados Unidos na média de óbitos diários pela primeira vez durante a segunda onda. O Brasil vê seus sistemas de saúde na iminência de colapsar ou já colapsados em quase todo o seu território. Governadores, o Ministério da Saúde e até o Judiciário vêm pregando união para enfrentar o vírus.

A Comissão de Saúde da China anunciou que foram diagnosticados nove casos do novo coronavírus nas últimas 24 horas, todos oriundos do exterior. Os casos foram detectados em viajantes nas cidades de Xangai (leste) e nas províncias de Guangdong (sudeste), Sichuan (centro), Henan (centro) e Shaanxi (noroeste).

O país asiático não registra um caso de infecção local desde 15 de fevereiro. A Comissão de Saúde chinesa indicou que o número total de infectados ativos na China continental se fixou em 182. Desde o início da pandemia, 90.027 pessoas com o coronavírus na China, tendo morrido 4.636 doentes.

O estado de São Paulo já apresenta hoje 53 cidades com 100% de ocupação dos seus leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para Covid-19, em uma demonstração prática da escalada da pandemia. De acordo com o Estadão Conteúdo, o estado tem 105 municípios com leitos de UTI para tratamento da doença, portanto mais da metade das cidades já não têm mais vagas.

Com o aumento crescente no número de novos internados, o estado tem 87,6% de ocupação dos leitos de terapia intensiva dedicados à doença, enquanto na Grande São Paulo essa taxa é de 86,7%. Para leitos públicos, a última atualização divulgada pelo governo apontava 1.065 pessoas na fila de espera por uma vaga de internação, das quais cerca de 35% precisam de UTI.

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O painel é composto pela síntese de casos, óbitos, incidências e mortalidade das infecções pelo coronavírus no Brasil, resultado da soma de dados das Secretarias Estaduais de Saúde, divulgados pelo Ministério da Saúde
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que o mundo tem 118.742.439 pessoas infectadas pelo coronavírus. Os EUA é o país que lidera o ranking com 29.289.999 infectados, seguido por Índia e Brasil, com 11.308.846 e 11.277.717, respectivamente.

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