Foto: Sérgio Lima/Poder360

4 de abril de 2020

Observatório do Coronavírus #62

Apesar do ritmo acelerado de transmissão do coronavírus no Brasil, Ministério da Saúde evita estimativas de contágio e afirma não acreditar que óbitos chegarão a 100 mil

Foto de capa: Sérgio Lima/Poder360

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Um estudo feito pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, grupo de pesquisa que reúne especialistas de diversos institutos e universidades, estima que nos próximos 18 dias o Brasil pode chegar a 60 mil casos de coronavírus, cerca de 6 vezes mais do que registrou até agora. A projeção é considerada pelos pesquisadores como “pior cenário”. Caso o isolamento social se mantenha e os brasileiros sigam as orientações da Organização Mundial de Saúde, a previsão do grupo é de 25 mil casos até o dia 20 de abril.

Apesar do país ainda estar na “fase inicial” da transmissão do coronavírus, a alta incidência de casos em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará e Amazonas indica uma transição para fase de “aceleração descontrolada” nesses locais. A avaliação consta em documento elaborado pelo Ministério da Saúde, que fez uma revisão da trajetória do vírus e reconhece gargalos diante de uma possível fase aguda da epidemia, como a falta de testes e leitos suficientes. Por isso, a pasta reforça a recomendação para que os estados mantenham medidas de distanciamento social.

Apesar de todos os dados, o Ministério da Saúde evitou fazer estimativas sobre quantos casos de contaminações prevê atualmente para o país. Na semana passada, um estudo da Imperial College de Londres, que vem fazendo projeções matemáticas do crescimento da pandemia e avaliações das ações em andamento, afirmou que poderiam ocorrer cerca de 44 mil mortes no Brasil em um cenário no qual haja restrição mais rápida e ampla de isolamento. Em um cenário com regras menos rígidas de isolamento, a previsão da Instituição foi de cerca de 627 mil óbitos.

No novo balanço divulgado pelo Ministério neste sábado, o Brasil tem 10.278 casos confirmados e mais de 430 mortes em todo o território nacional.

A Câmara dos Deputados aprovou ontem uma emenda à Constituição que cria um orçamento paralelo, chamado de “orçamento de guerra”. A medida destinará recursos exclusivos para a estratégia de prevenção e combate ao coronavírus. O objetivo é separar do Orçamento-Geral da União os gastos emergenciais que serão feitos para enfrentar a doença sem gerar impacto de aumento de despesa em um momento de desaceleração da economia do país. O “orçamento de guerra” vai vigorar durante o estado de calamidade pública aprovado pelo Congresso, que tem validade prevista até o dia 31 de dezembro deste ano.

O Governo de São Paulo isentou moradores de comunidades do pagamento de contas de água dos meses de abril, maio e junho. A determinação foi publicada ontem no Diário oficial e inclui moradores incluídos nas categorias residencial social e residencial favela. Um dia antes, o governo já tinha suspendido a cobrança da tarifa social de água para 506 mil famílias.

As medidas chegam para tentar amenizar o impacto econômico sobre famílias de baixa renda, que não possuem reserva financeira para o período de crise. De acordo com um levantamento feito pelo Data Favela, 72% dos entrevistados disse que não conseguem manter o padrão de renda durante a quarentena. Um dos reflexos da preocupação da parcela mais carente da população é a reabertura de comércios localizadas na periferia da capital paulista, apesar do risco alto de transmissão do novo coronavírus.

O número de pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensivas da Itália diminuíu pela 1ª vez desde o início da epidemia no país há cerca de 1 mês. De acordo com o chefe da Proteção Civil, Angelo Borrelli, o total de doentes em UTIs nos hospitais italianos voltou a ficar abaixo de 4 mil. A queda foi detectada em particular na Lombardia, a região mais afetada no país. 

Apesar da retração, especialistas são enfáticos ao dizer que chegar a um pico de contágio não é sinônimo de reabertura. Os profissionais defendem que o isolamento deve continuar até que novos casos da doença não sejam mais registrados, como aconteceu em Wuhan, na China. O pico da curva de contágio indica que um número máximo de pacientes suscetíveis já teve contato com o vírus e que, a partir daí, ele encontrará cada vez menos vítimas. A curva em queda indica que as infecções devem desaparecer com a manutenção do isolamento.

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Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município

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