13 de abril de 2020

Observatório do Coronavírus #71

OMS testa cloroquina e afirma que ainda não há eficácia comprovada; Ministério da Saúde admite iminência de colapso na saúde no Brasil por diminuição do isolamento social

Foto de capa: Barcroft Media/Getty Images
 

Ouça a matéria:

O diretor de operações da Organização Mundial da Saúde, Michael Ryan, afirmou em uma coletiva que ainda não existem “evidências empíricas” de que a cloroquina funcione para lidar com a COVID-19. Mesmo com a declaração do diretor, a agência colocou o remédio em uma bateria de testes pelo mundo e aguarda os resultados oficiais.

Na mesma entrevista, representantes da OMS ainda destacaram que a COVID-19 é dez vezes mais letal do que a H1N1 e que a vacina é fundamental para romper a propagação.

Apesar das limitações nos resultados, alguns médicos e especialistas disseram que os dados reunidos por este estudo forneceu evidências de que a cloroquina e a hidroxicloroquina, ambas usadas no tratamento de malária, podem causar danos significativos em alguns pacientes, especificamente em casos em que há algum problema relacionado ao coração.

A cardiologista Ludhmilla Abrahão, diretora de ciência e tecnologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia, faz parte da comissão de especialistas que se reuniu com o Presidente Jair Bolsonaro há duas semanas, para discutir sobre a eficácia da cloroquina. Ela aponta que a realidade científica não coloca a cloroquina como “salvadora”.

Segundo a médica, existe um otimismo exagerado em cima do produto e isso reflete o que a população está vivendo, com milhares de pessoas infectadas e vidas em risco. Os estudos clínicos demonstram que há uma escassez de dados e resultados contraditórios. Tal otimismo vem de um grupo de pesquisa francês, que possui apoio de diversas figuras políticas francesas, mas que ainda não tem a comprovação exata dos efeitos da cloroquina. 

O Ibrachina publicou uma matéria que lista algumas das pesquisas que estão em andamento em diversos países para entender a eficácia de medicamentos e substâncias já existentes para o tratamento dos sintomas do coronavírus. 

Enquanto isso, a curva de infectados segue crescendo no Brasil. Os casos dobram semana a semana e o total de pessoas com Covid-19 ultrapassa 20.000. De acordo com o novo balanço divulgado na tarde de hoje pelo Ministério da Saúde, o país tem 23.430 casos de pessoas infectadas e 1.328 óbitos em decorrência dos sintomas da doença.

O Ministério da Saúde, diante do alto número de casos confirmados e as taxas de mortalidade, sugere o endurecimento das medidas restritivas principalmente nas cidades de Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo, que estão se tornando o epicentro da doença no país. Segundo Wanderson Oliveira, secretário da Vigilância em Saúde, “são cidades que ainda não podem relaxar o isolamento social”. O secretário-executivo João Gabbardo, afirma que um iminente colapso do sistema de saúde sublinha a importância do isolamento social. “A curva está muito próxima da nossa capacidade de atendimento. Estamos próximos de atingir nosso limite, se não fizermos alguma coisa.” 

Na China, o aumento de novos casos alimenta o temor de uma segunda onda da doença. No mundo, o Coronavírus já atingiu mais de 1,8 milhões de pessoas e causou cerca de 116 mil mortes. Mas o pior cenário na atualidade continua nos EUA: são mais de 558 mil casos e mais de 22 mil mortes, segundo levantamento em tempo real da Universidade Johns Hopkins, de Washington.

 

Governo Federal libera nova fase do auxílio emergencial 

O Governo Federal anunciou hoje a liberação do pagamento do auxílio emergencial para mulheres que são responsáveis pelo sustento da família. Ao invés dos R$ 600, que são pagos a trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores individuais (MEIs) a Caixa Econômica Federal pagará a essas pessoas o valor de R$ 1.200, ou seja, uma cota dupla. 

Regras para o recebimento do auxílio:

– ser maior de 18 anos de idade;

– não ter emprego formal;

– não receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda federal que não seja o Bolsa Família;

– renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e

– não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.

– exercer atividade na condição de microempreendedor individual (MEI);

– ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS);

– ser trabalhador informal inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); ou

– ter cumprido o requisito de renda média até 20 de março de 2020.

ACOMPANHE O STATUS DO CORONAVÍRUS NO BRASIL EM TEMPO REAL

Mapa de casos no país atualizado em tempo real
Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município

LINKS RELACIONADOS

FAKE NEWS

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Notícias relacionadas

Observatório do Coronavírus #122

Pacientes curados da COVID-19 são 40% do total de infectados no Brasil; Vacina contra coronavírus desenvolvida em Londres será testada em brasileiros