Foto: Anderson Riedel/PR

16 de abril de 2020

Observatório do Coronavírus #74

Presidente Jair Bolsonaro demite o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta; Troca é criticada por autoridades e rejeitada pela população

Foto de capa: Anderson Riedel/PR

Ouça a matéria:

O presidente Jair Bolsonaro demitiu na tarde de hoje o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O anúncio oficial foi feito por meio de um pronunciamento. Desde o início da epidemia no Brasil, ministro e presidente vinham se desentendendo sobre a melhor estratégia de combate à doença. Enquanto Bolsonaro defende flexibilizar medidas como fechamento de escolas e do comércio para mitigar os efeitos na economia do País, o agora ex-ministro manteve a orientação da Pasta para as pessoas ficarem em casa. A recomendação de Mandetta segue o que dizem especialistas e a Organização Mundial de Saúde, que consideram o isolamento social a forma mais eficaz de se evitar a propagação do vírus. 

Os dois também divergiram sobre o uso da cloroquina em pacientes da COVID-19. Bolsonaro é um entusiasta do medicamento indicado para tratar a malária, mas que tem apresentado resultados promissores contra o coronavírus. Mandetta, por sua vez, sempre pediu cautela na prescrição do remédio, uma vez que ainda não há pesquisas conclusivas que comprovem sua eficácia contra o vírus.

O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, durante pronunciamento no Palácio do Planalto - Foto: Marcello Cassal Jr/Agência Brasil

O oncologista Nelson Teich, que assumirá o Ministério da Saúde no lugar de Mandetta, chegou a Brasília na manhã desta quinta e se encontrou com o Bolsonaro no Palácio do Planalto. 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que é ruim para o Brasil uma troca rápida de toda a equipe do Ministério da Saúde. A maioria dos brasileiros é contrária à demissão de Mandetta, de acordo com pesquisa Atlas realizada entre domingo (12/4) e terça-feira (14/4).

Remédio “secreto” contra o coronavírus está em teste

Cientistas brasileiros vão testar em 500 pacientes um medicamento quase sem efeitos colaterais, com eficácia de 94% em células infectadas pelo novo coronavírus. A informação foi divulgada ontem, pelo ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, que prometeu resultados em um mês. O ministro afirma que as vacinas demoram mais do que o reposicionamento de drogas, e que os pesquisadores estão trabalhando com vacina dupla, tanto para Influenza quanto para a Covid-19.

COVID-19 infecta mais jovens no Brasil do que em outros países

Mesmo que não estejam no grupo de risco, pessoas com menos de 60 anos são as mais infectadas pela Covid-19 no Brasil, o que tem elevado o número de internações em hospitais e sobrecarregado o sistema de saúde. Embora o Ministério da Saúde não detalhe os casos da doença por idade, as secretarias estaduais fizeram um levantamento onde consta a situação de emergência entre os jovens contaminados, tornando esse percentual ainda maior quando comparado com epicentros globais da pandemia, como os Estados Unidos, a Itália e a Espanha, por exemplo.

Em São Paulo, recordista de casos de coronavírus no país, a faixa etária com mais infectados é entre os 20 e 39 anos, que forma em torno de 40% do total – dos mais de 11 mil infectados pela COVID-19, cerca de 4 mil estão nessa faixa de idade. Na Espanha e Itália, países com mais infectados da Europa, o grupo a partir dos 60 anos formam mais de 25% da população. Já no Brasil, os idosos representam 14% do contingente de 210 milhões de habitantes.

Pesquisadores ligados às universidades federais do Brasil todo realizaram uma projeção que aponta colapso do sistema de saúde a partir de 21 de abril. Diante do avanço na evolução da pandemia no Brasil, o número de UTIs disponíveis nos hospitais das cidades de referência não serão o suficiente para atender a demanda de infectados a partir da  data. O estudo leva em conta as medidas de isolamento aplicadas e o seu impacto na redução da transmissão da doença. O Ministério da Saúde ainda não tem o balanço da ocupação das UTIs nos estabelecimentos de saúde públicos e privados nos 26 Estados e Distrito Federal, porém orientou que os próprios estabelecimentos façam o registro em um sistema unificado das internações hospitalares dos casos suspeitos e confirmados de coronavírus.

Embora o estado de São Paulo esteja enfrentando a alta taxa de ocupação das UTIs, o governador João Dória pretende zerar a fila de testes para a doença até o dia 24 de abril. Em coletiva de imprensa realizada ontem, o governador explicou que isso se deve à compra de 1.3 milhão de testes rápidos da Coréia do Sul, dos quais 725 mil chegaram essa semana.

Em Florianópolis, os testes rápidos começaram a ser aplicados no esquema “drive-thru”. Ontem foram realizados 83 testes dos 110 previstos pela Vigilância Epidemiológica. Conforme dados da Prefeitura da cidade, 10 casos positivos para Covid-19 foram detectados. Para hoje a previsão é da realização de mais 250 testes. Inicialmente, 400 pessoas seriam submetidas ao exame nesta semana, mas a Administração Pública atualizou esse número para 750 durante a manhã.

Apesar dos 41 óbitos e dos mais de 800 infectados no Paraná, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, afirmou que a cidade vai relaxar o isolamento social a partir da próxima sexta-feira e permitirá a reabertura do comércio. O anúncio foi feito em live na internet sobre o balanço dos casos do novo coronavírus no município. Curitiba tem oito mortes por Covid-19 e 358 casos confirmados. Greca recomendou que a população use máscaras ao sair de casa e que os empresários sigam as medidas sanitárias que já estão sendo praticadas nos mercados municipais de Curitiba, reabertos na semana passada. 

O Governador do Paraná, Ratinho Jr, anunciou que vai reduzir em 30% o próprio salário e dos seus secretários. Segundo ele, a medida valerá enquanto durar a pandemia do novo coronavírus. Ratinho Junior afirmou que o dinheiro será destinado ao Fundo de Combate à Pobreza do Estado do Paraná.

ACOMPANHE O STATUS DO CORONAVÍRUS NO BRASIL EM TEMPO REAL

Mapa de casos no país atualizado em tempo real
Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município

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