Wallace Pereira, presidente da associação de moradores da Rocinha - Foto: Herculano Barreto Filho/UOL

19 de abril de 2020

Observatório do Coronavírus #77

ONG oferece testes gratuitos para coronavírus na Rocinha; Manifestações em capitais pedem fim do isolamento social e atacam autoridades

Foto de capa: Herculano Barreto Filho/UOL

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Na Rocinha, a maior favela do Brasil, uma ONG oferece à população testes gratuitos para detectar o novo coronavírus em uma tentativa de ampliar a medição da propagação da doença nesta comunidade pobre e densamente povoada do Rio de Janeiro. 

O “Favela sem corona” é um projeto de um ex-morador da comunidade que captou recursos pela internet para comprar centenas de testes sorológicos e rápidos, colocando-os à disposição das pessoas que residem lá. Para ser testado, o morador só precisa ir até uma clínica particular da favela e fazer um exame de sangue. O resultado sai em 24 horas. Além da Rocinha, a iniciativa prevê o envio de testes para outras comunidades carentes do Rio de Janeiro.

 

Pandemia impacta mulheres de maneira mais severa

 

As mulheres são afetadas de maneira mais severa pelo novo coronavírus por estarem mais expostas ao risco de contaminação e às vulnerabilidades sociais decorrentes da pandemia, como desemprego, violência, falta de acesso aos serviços de saúde e aumento da pobreza. Essa conclusão é do relatório “Mulheres no centro da luta contra a crise COVID-19”, divulgado pela ONU Mulheres. O documento defende que as mulheres são as mais afetadas porque 70% dos trabalhadores de saúde em todo o mundo são do gênero feminino, fato que as expõe a um maior risco de infecção pelo novo coronavírus. Além disso, entre os idosos, há mais mulheres vivendo sozinhas e com baixos rendimentos. 

Com o isolamento, os índices de violência doméstica e feminicídio têm aumentado significativamente no mundo. Como as mulheres estão confinadas com seus agressores e distantes do ciclo social, os riscos para elas são cada vez mais elevados. Na semana passada, o Papa Francisco advertiu que a violência doméstica contra as mulheres pode aumentar em consequência das medidas de confinamento impostas contra a pandemia de coronavírus.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos aprovou uma resolução em que demonstra preocupação pelo respeito aos direitos mais básicos durante o combate à pandemia de coronavírus no continente americano. De acordo com o presidente da Comissão, o jurista Joel García Hernández, as políticas que salvaguardam o direito da população à saúde devem se basear em uma perspectiva ampla de todo o conjunto dos direitos humanos, partindo do princípio de que são universais e indivisíveis.

A resolução de 22 páginas faz 85 recomendações para que os 35 Estados que fazem parte da organização internacional respeitem os Direitos Humanos ao implementar medidas de proteção. O documento também aborda especificidades de grupos historicamente vulneráveis que podem vivenciar a piora de suas situações neste momento, como os povos indígenas, a população LGBTI, os afrodescendentes, as pessoas presas, os meninos e meninas adolescentes.

O Ministério da Saúde começou a ligar para mais de cem milhões de brasileiros para mapear a epidemia no país. O TeleSUS permite identificar pessoas com sintomas da doença e se elas estão em uma área de risco de contágio. Esse mecanismo permite identificar antecipadamente pessoas vulneráveis, com sinais e sintomas de infecção e encontrar possíveis casos de pessoas com coronavírus. Essa ligação do Ministério da Saúde está programada para chegar a 125 milhões de brasileiros, e toda resposta é importante na ação de combate ao coronavírus.

São Paulo também está usando os smartphones como forma de monitorar a adesão da população à quarentena. O sistema de monitoramento tem ajuda de sinais de celulares, que são cedidos por antenas de quatro operadoras de telefonia – Vivo, Claro, Oi e Tim, para saber se as pessoas estão em casa e localizar aglomerações.

 

Manifestações pedem fim da quarentena neste domingo

 

Pelo segundo dia consecutivo, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro desafiaram a regra de isolamento social contra o coronavírus recomendada pela Organização Mundial da Saúde para protestar em carreata neste domingo. Os manifestantes pedem a volta ao trabalho e a abertura do comércio. Há discursos em defesa do isolamento vertical, quando só os grupos de risco ficam em isolamento, e também pedidos de fechamento do Congresso e do STF.

Em uma live transmitida na tarde de ontem direto da rampa do Palácio do Planalto, Bolsonaro criticou prefeitos e governadores. e declarou que o Governo Federal fará o possível para começar a flexibilizar as regras de isolamento social.

As escolhas do governo brasileiro no combate à pandemia colocam em risco as relações comerciais do país em uma época que qualquer oportunidade econômica não pode ser desperdiçada. Ao banalizar medidas recomendadas pela OMS contra a COVID-19, o governo Bolsonaro prejudica imagem do Brasil no exterior e cria incertezas a longo prazo.

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