Foto: Luciana Carneiro/Prefeitura de Niterói

28 de abril de 2020

Observatório do Coronavírus #86

Brasil registrou mais óbitos por COVID-19 do que a China; Cientistas detectam coronavírus no ar em ruas e prédios próximos a hospitais

Foto de capa: Luciana Carneiro/Prefeitura de Niterói

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O Brasil já registra mais mortes decorrentes da COVID-19 do que a China, que foi o primeiro epicentro da pandemia do novo coronavírus. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados hoje, 474 novas mortes foram confirmadas nas últimas 24 horas, totalizando 5.017 no país. É a maior elevação diária do número de mortes para um único dia, lembrando que esse número diz respeito aos óbitos que foram confirmados no período, independentemente da data em que tenham ocorrido.

De acordo com os números da Organização Mundial da Saúde, a China registra 4.643 mortes decorrentes da COVID-19. De acordo com a atualização divulgada pelo governo federal, o número de casos no Brasil cresceu 8,1%, chegando a 71.886. Na China, são 84.347 casos.

 

Cientistas detectam coronavírus no ar e no esgoto

Partículas de coronavírus podem ser encontradas no ar em locais frequentados por pessoas infectadas. Isto é o que mostra uma pesquisa publicada ontem na revista científica Nature. Os cientistas da Universidade de Wuhan — primeiro epicentro da doença na China — testaram amostras de ar coletadas em dois hospitais que tratam pacientes com COVID-19. A equipe encontrou níveis elevados do vírus em locais de uso comum dos funcionários nos hospitais. De acordo com os cientistas, isso sugere que o vírus pode viajar pelo ar.

O coronavírus também foi encontrado em suspensão no ar nas imediações de prédios e mercados próximos aos hospitais, porém, em concentrações bem menores. O próximo passo dos cientistas será avaliar o potencial de infecção do novo coronavírus em aerossol e determinar por quanto tempo ele permanece infeccioso em tais condições.

A Fiocruz divulgou hoje que encontrou coronavírus em esgotos de Niterói, estado do Rio de Janeiro. Apesar de a ciência ainda não ter certeza se é possível contrair o vírus pelo contato com o esgoto, a descoberta acende um alerta. A informação sobre a presença do coronavírus nos rejeitos de um local é usada para monitorar a contaminação da população: se ele aparece, é sinal de que o vírus está espalhado entre os moradores da região.

 

Anvisa aprova testagem para coronavírus em farmácias

No Brasil, a Anvisa aprovou a realização de testes rápidos de coronavírus em farmácias. Agora, os exames deixam de ser obrigatoriamente feitos apenas em hospitais e clínicas. As farmácias que quiserem realizar o teste deverão ter um profissional qualificado. Os exames serão feitos no local e o resultado deverá ser interpretado por um profissional de saúde, juntamente com outros dados do paciente. A medida foi aprovada pela diretoria da agência por unanimidade em caráter temporário, enquanto dure a situação de emergência de saúde pública nacional.

Mais de 90% dos médicos em atividade no estado de São Paulo não foram submetidos a testes para saber se foram infectados pelo novo coronavírus. O levantamento foi realizado pela Associação Paulista de Medicina com cerca de 2 mil médicos das redes de saúde pública e particular. Desse montante, 35% dos profissionais entrevistados pertencem a algum grupo de risco, são diabéticos, hipertensos, obesos ou têm alguma doença cardiovascular.

Apenas 15,5% dos médicos disseram ter sido capacitados para atender casos suspeitos e confirmados em qualquer fase da doença. Os casos mais graves necessitam de intubação e ventilação mecânica e podem causar problemas cardíaco, renal, abdominal e cerebral.  A pesquisa da APM foi realizada durante a gestão de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde. A avaliação do ex-titular da pasta entre os participantes tem 72% de ótimo e bom. No período do levantamento, 65% dos médicos trabalhavam em hospitais e prontos-socorros que recebem pacientes com COVID-19.

 

Coronavírus no Brasil

O número de mortes por coronavírus no estado de São Paulo subiu ontem para 1.825, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Foram 125 novos registros em 24 horas. O total de casos confirmados da COVID-19 chegou a 21.696 no estado. Também houve crescimento na ocupação dos leitos de UTI para atendimentos aos infectados: ontem, a taxa está em 59,8% no estado de São Paulo e 78,4% na Grande São Paulo.

No Rio de Janeiro, a Secretaria da Saúde afirma que dos 48 pronto-socorros, 28 estão com superlotação. Um dos estabelecimentos abriga 46 pacientes internados, mas possui somente 28 leitos. Médicos afirmam que, em alguns casos, os doentes ficam em macas espalhadas pelos corredores. Na capital, a ocupação dos leitos de UTI voltados para todos os pacientes chega a 97% e não há mais vagas exclusivas para coronavírus, com 100% de ocupação. Levando em consideração apenas as unidades da rede estadual, a ocupação de todas as UTIs é de 83% e não há vagas para casos graves de COVID-19 na maioria das unidades.

Foram confirmados hoje 366 novos casos de pacientes com a doença em Pernambuco, elevando o número total para 5.724 casos no estado. Também houve confirmação de mais 58 óbitos e, com isso, a região passa a ter 508 mortes pelo novo coronavírus. Pernambuco tem sete cidades entre os 20 municípios brasileiros com a maior taxa de mortalidade de pacientes com o vírus.

A pandemia tem preocupado e avançado entre os povos indígenas no Nordeste. Há um caso confirmado no Ceará e dois em Pernambuco, sendo os únicos estados da região com confirmações. Na Bahia e no Maranhão existem casos suspeitos que esperam confirmações de exames laboratoriais. De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, até o momento 42 indígenas estão contaminados com coronavírus e 10 faleceram. No Ceará existem 14 povos indígenas divididos em 18 municípios e que somam uma população aldeada de mais de 26 mil, segundo dados do governo do estado.

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Mapa de casos no país atualizado em tempo real
Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município
Gráfico do Ministério da Saúde de casos acumulados de pessoas infectadas e óbitos

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Mulheres indígenas do rio Negro passam orientações sobre Covid-19 nas comunidades - Foto: Instituto Socioambiental / ISA / Divulgação
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