7 de junho de 2020

Yang Wanming fala sobre a importância das sessões anuais do Congresso chinês durante a pandemia

Embaixador da China no Brasil ressalta as estratégias e planos específicos debatidos neste grande evento para criar oportunidades na crise e abrir novos horizontes

Foto de capa: Yao Dawei

 

A pandemia da covid-19 que se alastra pelo mundo impõe a todos os países desafios e riscos sem precedentes. As Duas Sessões anuais da Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo da China, realizadas neste período peculiar, traçaram estratégias e planos específicos para criar oportunidades na crise e abrir novos horizontes nas mudanças, transmitindo as seguintes mensagens.

A base para manter o crescimento chinês é robusta. Durante as deliberações nas Duas Sessões, o presidente Xi Jinping apontou a necessidade de “analisar a situação econômica da China numa perspectiva abrangente, dialética e de longo prazo”. A economia chinesa, a segunda maior do planeta, já passou da fase de alto crescimento para a de desenvolvimento com alta qualidade. Em 2019, o PIB chinês registrou uma alta de 6,1%, um aumento equivalente ao tamanho da economia de um país moderadamente desenvolvido; a renda per capita ultrapassou pela primeira vez a marca dos US$ 10 mil e o consumo foi o fator que mais contribuiu para o crescimento econômico.

Além disso, a China tem o maior e o mais completo sistema industrial do mundo, com vigorosa capacidade produtiva. Tem uma força de trabalho com mais de 170 milhões de profissionais altamente qualificados e um gigante mercado de consumo interno com uma classe média de 400 milhões de pessoas. A pandemia não vai mudar as características básicas da economia chinesa, como o enorme potencial, a forte resiliência, o amplo espaço para manobras e a diversidade de instrumentos macroeconômicos, tampouco vai afetar a tendência fundamental de crescimento a longo prazo. Mais força e potencial de desenvolvimento serão liberados à medida que a China levar adiante os processos de nova industrialização, informatização, urbanização e modernização agrícola.

As iniciativas que a China adapta para priorizar os interesses da população são explícitas. Em vez de fixar a taxa de crescimento econômico para este ano, as Duas Sessões definiram como meta garantir a segurança em seis áreas, entre elas, o emprego, o padrão de vida e o funcionamento das entidades de mercado. Medidas concretas incluem, por exemplo, criar 9 milhões de novos postos de trabalho este ano, manter a taxa de desemprego por volta de 6% e o aumento do Índice de Preços ao Consumidor em torno de 3,5%, e zerar a população abaixo da linha da pobreza, que hoje é de 5,51 milhões.

Isso mostra que, em vez de recorrer a vigorosos estímulos para alcançar indicadores rígidos preestabelecidos, o governo chinês vai priorizar a qualidade do crescimento e a garantia dos meios de vida. Para tanto, o governo elaborou políticas fiscais e monetárias que visam minimizar os impactos negativos e injetar mais vigor no mercado, como, por exemplo, a transferência de 2 trilhões de yuans do cofre central para os governos locais a fim de aumentar o consumo e o investimento; a redução ou isenção de encargos previdenciários e aumentos de suportes financeiros para diminuir os custos operacionais das empresas em valor superior a 2,5 trilhões de yuans ao longo do ano; um aporte de 600 bilhões de yuans a novos tipos de infraestrutura como a aplicação de 5G, redes de informação, veículos movidos a novas energias, e grandes obras de urbanização, de transporte e de conservação de água; além disso, está previsto o desenvolvimento de indústrias emergentes para criar novos pontos de crescimento como economia digital, manufatura inteligente, ciências da vida e novos materiais.

Os passos chineses para ampliar a abertura e a cooperação internacional são firmes. Sejam quais forem as mudanças na conjuntura, a China continuará no caminho do desenvolvimento pacífico e da cooperação ganha-ganha, empenhando-se em construir uma comunidade de futuro compartilhado para a Humanidade. Vai intensificar a cooperação internacional para enfrentamento da pandemia e otimizar a governança mundial da saúde pública. Ao incluir a contenção epidêmica em sua rotina, a China está focando na retomada do trabalho e da produção, de maneira que mais de 99% das principais empresas industriais já voltaram a operar.

Isso não apenas favorece a recuperação da economia chinesa, como também preserva da melhor forma as cadeias globais de abastecimento e da produção. O país vai levar a sua abertura a um novo patamar, promover a liberalização e a facilitação do comércio e dos investimentos, incentivar novas formas de negócio, como o comércio eletrônico transfronteiriço, e fortalecer a capacidade de transporte internacional de cargas. Este mês, a Feira de Cantão será realizada on-line pela primeira vez na história. Em novembro, terá lugar a terceira edição da Feira de Exportação da China. Essas medidas práticas são destinadas a aumentar as importações chinesas e desenvolver um grande mercado aberto ao mundo.

Olhando para trás, cada conquista da China em seu desenvolvimento vem de transformação de desafios em oportunidades, enquanto o crescimento da humanidade é sempre acompanhado pela superação. A pandemia nos mostrou, mais uma vez, que a saúde e o bem-estar dos povos do mundo estão estreitamente interligados. À medida que consolida seu próprio crescimento, a China vai intensificar ainda mais a parceria de benefício recíproco com o Brasil e os demais países e desempenhar seu papel como uma importante força para a paz, a estabilidade, o progresso e a prosperidade do mundo.

Por Yang Wanming, embaixador da China no Brasil

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Notícias relacionadas

Observatório do Coronavírus #178

Governo do Paraná e da China estudam parceria para testagem e produção de vacina contra COVID-19. Especialistas brasileiros debatem quais grupos terão prioridade na vacinação.