O carnaval brasileiro está cada vez “made in China”, afirmou o jornal Financial Times. A publicação citou um levantamento da Associação Brasileira dos Importadores Têxteis (Abitex), apontando que cerca de 80% das fantasias usadas durante a tradicional festa nacional foram importadas da China.
Os produtos são diversificados e com preços mais acessíveis. Desde fantasias e máscaras, passando pelas sombrinhas usadas para dança do frevo no Nordeste, até maquiagens, serpentina e confetes.
A BBC News destacou que o país asiático é a principal origem de importações para diversas festas no Brasil, incluindo Natal e Festas Juninas. O costume é comprar material até um ano antes e, em 2024, o volume de importação de produtos temáticos bateu “um recorde de volume na última década”. Os dados foram levantados junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A China é o principal parceiro comercial do Brasil, tanto em importações quanto exportações. A participação dos produtos chineses no volume de itens importados para festas chegaram a 95% do total em 2024. Os dados disponíveis não permitem o recorte apenas para o Carnaval. Para efeitos de comparação, dez anos atrás já era de 88%, conforme o sistema do MDIC. No ano passado foram 20,7 mil toneladas, um aumento de 29% em relação a 2023.
A cidade de Yiwu, no sul da China, é considerada o maior centro comercial atacadista do mundo. É um destino popular para quem quer importar produtos do gigante asiático. Por exemplo, cerca de 80% dos enfeites de Natal de todo o planeta saem dessa região. Muitos lojistas brasileiros fazem viagens de negócios para lá.
Outro destino popular para importar produtos de Carnaval é a Feira de Cantão, em Guangzhou. A feira é gigantesca e conhecida pela exposição e venda em larga escala de produtos temáticos diversos para festas no mundo todo, como Halloween, onde muitas fantasias e adereços comercializados também podem ser usados no Carnaval.
O grande atacado global
A Feira de Cantão começou a ser realizada em 1957, quando a China passou por um processo de abertura para o comércio internacional.
Atualmente ela é realizada duas vezes por ano, cada uma com três fases, dependendo do tipo de produto. A primeira fase de 2025 será de 15 a 19 de abril (para eletrônicos, veículos e etc), a segunda de 23 a 27 (itens para decoração, casa, construção e móveis, entre outros) e a terceira de 1 a 5 de maio (produtos para bebês, crianças e mães, moda, papelaria, saúde e etc).
Saiba mais AQUI. https://guiacantonfair.com.br/
Por sua vez, a cidade de Yiwu vive basicamente do comércio de produtos, por isso há visitas o ano inteiro. Ela é como uma Feira de Cantão permanente, com preços competitivos.
Considerado o maior mercado atacadista de pequenas commodities do mundo pela Organização das Nações Unidas e pelo Banco Mundial, o centro comercial exporta 65% dos produtos vendidos ali. Segundo a Agência Braisl “pode-se encontrar de tudo: brinquedos, enfeites, itens para casa, roupas, sapatos, acessórios, eletroeletrônicos. Apesar de a prioridade ser o atacado, é possível comprar a varejo também”.