Monja Miao You explica os fundamentos do budismo

A administradora do Templo Zu Lai explica as origens da filosofia e seus preceitos

Em sânscrito, “bud” significa acordar, observar, tornar-se consciente. Essa é a maior filosofia praticada pelo Budismo. Tem origem na Índia há cerca de 2.500 anos e é considerado a quarta maior religião do mundo. Baseia-se nos ensinamentos de Sidarta Gautama, o Buda Shakyamuni. É uma religião não-teísta, ou seja, não inclui a ideia de um deus. Entrevistada pelo Linha de Frente, a Monja Miao You explica mais sobre o Budismo.

Miao You é Bacharel em Administração e Economia na London School of Economics. É monja budista da ordem Fo Guang Shan – FGS (Montanha da Luz de Buda), ordenada e sob orientação do Venerável Mestre Hsing Yün. Atualmente é administradora do Templo Zu Lai.

Linha de Frente: Como nasceu o budismo? Ele é considerado uma religião ou uma filosofia?
Monja Miao You: O Budismo nasceu na Índia há quase 3 mil anos. A intenção original do Buda não era a criação de uma religião, mas de uma filosofia de vida ou um processo educativo que mostrassem o caminho para a iluminação. Inevitavelmente, o Budismo adquiriu características de religião ao longo do tempo através dos discípulos e seguidores.

Linha de Frente: Como são escolhidos os budas?
Monja Miao You: De acordo com os ensinamentos do Budismo, “buda” é um título. Portanto, quem passa por todos os processos e chega à iluminação pode ser chamado de buda. Sidarta Gautama era um príncipe indiano que se tornou o Buda Shakyamuni. “Shakya” era seu clã, e “muni” significa “pérola” ou “auspicioso”. Para chegar a esse título, é preciso seguir pelo caminho correto, livrando-se do chamado carma negativo.

Linha de Frente: Quantos discípulos o Budismo tem atualmente?
Monja Miao You: De acordo com o IBGE, cerca de 30 mil praticantes no Brasil. Mundialmente, menos de 10% da população. Esse número varia muito, já que nem sempre os que se declaram budistas são praticantes. Por causa da descendência chinesa, muitas pessoas já se classificam como budistas, mesmo não seguindo a filosofia.

Linha de Frente: O que é preciso para se tornar budista?
Monja Miao You: O processo é semelhante ao batismo do Catolicismo. É preciso participar de uma cerimônia de iniciação, chamada de refúgio. O interessado faz um juramento e recebe seu nome dharma, ou nome budista.

Linha de Frente: Quais são os principais ensinamentos e preceitos do Budismo?
Monja Miao You: O budismo nos ensina a gênese condicionada e reforça a lei de causa-efeito, a colher o que se planta. Qualquer ação que fazemos gera um carma que pode ser positivo, negativo ou neutro. Buda fala sobre Quatro Nobres Verdades: o sofrimento; a origem do sofrimento; a cessação do sofrimento; e o caminho que leva à cessação de sofrimento. O que causa essa sensação são os nossos próprios venenos, como a ganância e a ignorância. Para acompanhar as quatro verdades, é preciso seguir pelo Nobre Caminho Óctuplo: a Fala Correta; a Ação Correta; o Meio de Vida Correto; entre outros.

Linha de Frente: Como e por que meditar?
Monja Miao You: A meditação é uma prática milenar que não pertence ao budismo, mas é importante para o alívio do stress do dia a dia. É um processo de “faxina” interna para melhorar e acalmar o pensamento. Meditar é aprender como controlar o seu corpo, a sua respiração e a sua mente – e não é necessário fechar os olhos. Você pode fazer isso enquanto desempenha outras tarefas ao longo do dia.

Assista a entrevista completa:

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