11 de janeiro de 2021

Janeiro Branco alerta para importância de cuidados com a saúde mental

Campanha mundial é dedicada à prevenção do adoecimento emocional da humanidade

O mês de janeiro começou com um alerta mais do que necessário após um ano de 2020 desafiador: discutir ações pela saúde mental. A campanha mundial “Janeiro Branco” ressalta a importância dos cuidados com a saúde mental e emocional e chama a atenção das mídias, poderes públicos, instituições privadas e indivíduos em atender as demandas individuais e coletivas, direta ou indiretamente, relacionadas a este universo. Esta é a 8ª edição da campanha e tem o lema “Todo Cuidado Conta”. A ação deste ano busca promover um pacto pela saúde mental em meio à pandemia da Covid-19. 

De acordo com recente estudo sobre a Covid-19, publicado na revista científica Psychiatry Research, a pandemia do novo coronavírus erodiu a saúde mental de milhões de indivíduos. Confinamentos, angústias financeiras, distanciamento físico e social, medo do contágio, preocupação com familiares e amigos, incerteza; a lista de obstáculos cotidianos não é curta. A pesquisa, feita por pesquisadores canadenses, contou com a análise de dados de 55 estudos internacionais (mais de 190.000 participantes) entre janeiro e maio de 2020, sendo que grande parte desta informação provém da China.

Os especialistas concluíram que a crise sanitária aumentou em 24% a insônia, o transtorno por estresse pós-traumático alcançou 22% da população, a incidência da depressão se situou em 16% e a da ansiedade chegou a 15%. O artigo salienta ainda que o transtorno por estresse pós-traumático, a ansiedade e a depressão se tornaram, respectivamente, cinco, quatro e três vezes mais frequentes em comparação aos dados habitualmente relatados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) já advertia em março do ano passado, através de um artigo internacional publicado no ‘Brazilian Journal of Psychiatry’, que a pandemia traria uma quarta onda relativa às doenças mentais. Esta é uma das maiores preocupações mundiais”, ressalta Thomas Law, presidente do Ibrachina.  

Na China, as autoridades realizaram um Plano de Ação para prevenção e tratamento da depressão no início da pandemia, em meados de abril. O trabalho começou com grupos vulneráveis, incluindo adolescentes, mulheres grávidas, idosos e pessoas com empregos altamente estressantes.

O Plano exigia que escolas secundárias e universidades lançassem cursos obrigatórios de saúde mental com o objetivo de disseminar conhecimento sobre a prevenção da depressão entre os jovens. Algumas ações imediatas foram tomadas, como incluir exames de prevenção nos programas de atenção pré-natal e pós-parto e prover orientações de especialistas aos familiares de mulheres grávidas. O Plano impôs ainda que estabelecimentos de saúde mental fornecessem orientação aos centros médicos de nível primário e médicos de família sobre a prevenção da depressão entre os idosos.

A meta estabelecida é que o conhecimento sobre prevenção da depressão se popularize em 80% da população geral e 85% dos estudantes até 2022. A comissão de saúde chinesa também pediu medidas para atingir um aumento de 50% de pacientes com depressão que recebam ajuda médica profissional até 2022.

No Brasil, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) relatam que o país é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas, equivalentes a 5,8% da população, atrás dos Estados Unidos, com 5,9%. A depressão é uma doença que afeta 4,4% da população mundial. O Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade no mundo, com 9,3%.

A Saúde e o Bem Estar é o terceiro item dentro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A meta é promover a saúde mental promover a saúde mental e o bem-estar, a saúde do trabalhador e da trabalhadora, e prevenir o suicídio, alterando significativamente a tendência de aumento até 2030. Porém, segundo pesquisa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Brasil precisa superar dois desafios: a baixa adesão da sociedade pelos altos custos dos tratamentos e a atuação ineficiente do governo.

Uma curiosidade sobre a campanha é que a cor branca foi escolhida pelo fato de ser a junção de todas as cores, remetendo à ideia de que o indivíduo, para ter saúde mental, precisa estar em harmonia em todas as áreas de sua vida. Além da junção das cores, a branca é a cor sobre a qual podemos jogar outras cores e colorir à nossa maneira, remetendo à ideia de que é possível “pintar” a vida de diferentes formas. E também pelo fato de muitos indivíduos quererem começar uma história “em branco” no início do ano.

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