14 de junho de 2020

Observatório do Coronavírus #133

Brasil se torna 2º lugar em ranking mundial de óbitos; Especialistas afirmam que medidas continentais do país são desafio para controle da pandemia

Foto de capa: Ueslei Marcelino/Reuters

Em meio à pandemia que atinge o mundo, em cada região do Brasil o governo depara-se com uma realidade diferente. As proporções continentais do país – com 8,51 milhões de quilômetros quadrados divididos em 26 estados e o Distrito Federal, traz um grande desafio. Ao todo, o Brasil acumula mais de 850 mil casos e ocupa o segundo lugar no triste ranking mundial de mortes. Enquanto há estados, como Santa Catarina, que registram menos de 1,5% de mortalidade, Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará acumulam números mais altos do que os registrados na China, primeiro epicentro da pandemia. 

Para Eliana Bicudo, infectologista e assessora da Sociedade Brasileira de Infectologia, é importante a compreensão de que as estratégias de combate à COVID-19 não devem ser iguais por todo o país. A realidade entre os estados é diferente e, por isso, são necessárias medidas também distintas para frear a disseminação do vírus. A especialista esclarece não ser tão simples comparar a situação entre países, pois os dados têm que ser equivalentes. “Se comparamos números absolutos, a impressão pode ser de que estamos piores do que na Itália, por exemplo. Mas se analisarmos proporcionalmente, vemos que ainda estamos com uma situação melhor do que esteve lá”, exemplifica. 

Foto: Nair Bueno

Mais de 100 diferentes linhagens do novo coronavírus chegaram ao Brasil entre os meses de fevereiro e março de 2020, mas apenas três delas – provavelmente vindas da Europa – continuaram a se expandir no país e originaram a situação atual da COVID-19. 

Essas três linhagens emergiram nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro entre 22 e 27 de fevereiro e sua transmissão comunitária já estava estabelecida no início de março, bem antes de os órgãos de saúde recomendarem a restrição de viagens aéreas e a adoção de “intervenções não farmacológicas” (NPIs, na sigla em inglês) para conter a disseminação do vírus. 

As conclusões são de um estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP e divulgado na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares.

Foto: Carlos Moura

Segundo o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, é hora de definir os impactos da pandemia no calendário das eleições municipais deste ano. Os planos do TSE preveem o adiamento do pleito e novas regras de votação. 

A sugestão do Tribunal é uma janela que vai de 15 de novembro até 20 de dezembro. Seria o limite para o segundo turno, para que possam dar posse até o dia 1º de janeiro. A votação teria horário estendido, das 8h às 20h. Possivelmente as faixas etárias estariam divididas por horário para evitar aglomeração. Uma eventual eleição em dois dias está sendo estudada, mas o ministro identifica dois problemas: o custo de cerca de R$ 180 milhões extras e a segurança das urnas durante a noite.

O Sul da Ásia desponta como novo epicentro da pandemia de Covid-19. Apesar da proximidade com a China, a região conseguiu controlar a situação por meio de respostas rápidas contra a disseminação do novo coronavírus. Entretanto, a pressão pela recuperação econômica fez o governos locais afrouxarem as medidas. Apesar de escolas teatros, por exemplo, ainda estarem fechados na Índia, serviços como o transporte público, escritórios, shoppings, lojas, restaurantes e templos religiosos voltaram a funcionar a partir da segunda metade do mês maio. O mesmo aconteceu no Paquistão.

O problema é que esse relaxamento fez a curva começar a aumentar – e essa parte do continente, agora, registra uma alta sem precedentes no número de novas infecções. Na última semana, a Índia superou o Reino Unido e já tem a quarta maior população de infectados pelo novo coronavírus no mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Brasil e Rússia. O país somou mais 11 mil casos nas últimas 24 horas – só Brasil e EUA vivem um ritmo de contaminação mais intenso.

A China informou hoje ter detectado 57 novos casos de coronavírus, o número diário mais alto desde abril, gerando preocupações de uma segunda onda da doença no país. O novo conjunto de infecções domésticas provocou novos confinamentos em 11 bairros próximas ao mercado. Esses casos são os primeiros em Pequim em dois meses.

Segundo a Comissão Nacional de Saúde, 36 desses casos foram contágios domésticos na capital Pequim. Eles teriam começado em um mercado de carnes e vegetais localizado no sul da cidade. As outras duas infecções domésticas relatadas ocorreram na província de Liaoning, no nordeste do país, e autoridades locais de saúde disseram que eram contatos próximos dos casos de Pequim.

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O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 21 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 134 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, que chegou aos 850 mil casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com mais de 42 mil óbitos.

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