23 de agosto de 2020

Observatório do Coronavírus #204

China testa vacinas contra coronavírus em grupos de alto risco. Um dos epicentros da pandemia, Brasil atrai estudos de antivirais contra COVID-19.

Foto de capa: DPA

A China está testando vacinas experimentais contra o novo coronavírus em grupos de alto risco desde julho, afirmou o representante da Comissão Nacional de Saúde Zheng Zhongwei, em entrevista à televisão estatal. Nenhuma vacina foi aprovada em testes finais e em larga escala para ficar provado que é segura e eficiente o suficiente para proteger a população do vírus. O objetivo, segundo Zhongwei, é reforçar a imunidade de grupos específicos, incluindo trabalhadores da área de saúde, de mercados, dos setores de transporte e serviços. 

As autoridades podem considerar uma modesta expansão do programa para tentar prevenir possíveis surtos durante o outono e o inverno, acrescentou Zheng, que lidera a equipe do governo chinês que coordena recursos estatais para o desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus. As diretrizes para o uso emergencial da potencial vacina, aprovada em 24 de junho, segundo a autoridade chinesa, ainda não foram divulgadas ao público. 

Foto: Robert Bonet

Por ser um dos epicentros da pandemia de covid no mundo, o Brasil atraiu não só estudos de vacinas desenvolvidas no exterior, mas também pesquisas internacionais de possíveis medicamentos. Diante de um cenário prolongado de alto número de casos e mortes, vem crescendo o interesse de pesquisadores estrangeiros e farmacêuticas multinacionais por incluir pacientes brasileiros nos seus ensaios clínicos. Dos 33 estudos de medicamentos ou vacinas para covid já autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 21 são testes internacionais de possíveis tratamentos para a infecção.

As pesquisas que passam pelo órgão são aquelas em que há perspectiva de registro comercial do medicamento após os testes. Os demais estudos, com fins exclusivamente acadêmicos ou científicos, passam apenas pelo aval da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), que precisa autorizar qualquer pesquisa feita com seres humanos no País.

Foto: Thomas Peter/Reuters

A proteção coletiva, conhecida como imunidade de rebanho, é um dos assuntos mais polêmicos da pandemia do novo coronavírus. A taxa é alcançada quando o número de pessoas imunes a uma infecção chega a um nível que freia sua disseminação. Isso pode acontecer de forma natural, quando as pessoas são contaminadas ou por meio de uma vacina.

Seis meses após a eclosão dos primeiros casos da doença, surgem novas estimativas, bem mais otimistas, sobre a taxa necessária para gerar imunidade coletiva contra a Covid-19. Há trabalhos que falam em 50%, 43% e até mesmo menos de 20%. Essa última estimativa é fruto de uma análise que contou com a colaboração de pesquisadores brasileiros.

De acordo com um modelo matemático gerado pelos autores, seria possível alcançar a imunidade de rebanho para o novo coronavírus se 10% a 20% da população de uma região for infectada. Esse coeficiente pode variar de acordo com o país, mas tende a ficar dentro deste intervalo.

Foto: Toby Melville/Reuters

O coronavírus estará conosco “para sempre de um jeito ou de outro”, diz um cientista do órgão consultor que orienta o governo britânico sobre a pandemia. Sir Mark Walport é professor de medicina e integrante do Grupo Científico de Consulta para Emergências (Sage, na sigla em inglês), do governo do Reino Unido. Ele foi consultor científico chefe do Reino Unido até 2017. Walport diz que a vacinação global será importante para se controlar a pandemia, mas que a doença não é como a varíola, que conseguiu ser erradicada com vacinas.”Este é um vírus que estará conosco para sempre de um jeito ou de outro, e quase certamente serão necessárias repetidas vacinações”, diz ele. “Então, um pouco como a gripe, as pessoas precisarão de re-vacinação em intervalos regulares.”

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O gráfico oficial mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o número casos acumulados de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil chega aos 50 mil em apenas 24 horas, em comparação com a avaliação feita no dia anterior. No site é possível ver também o número de óbitos e de pessoas recuperadas da COVID-19.
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que foram identificados mais de 267 mil novos casos de infectados pelo coronavírus no mundo em apenas 24 horas. EUA lideram os rankings de confirmados, seguido pelo Brasil, com mais de 3,5 milhões de casos. Em relação ao número de óbitos, o Brasil ocupa atualmente o 2º lugar no ranking mundial, com quase 113 mil óbitos.

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