17 de fevereiro de 2021

Observatório do Coronavírus #283

Capital paulista amplia o grupo de profissionais para vacinação

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo ampliou o grupo de profissionais aptos a receber a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Eles poderão se vacinar a partir desta quarta-feira (17). Os funcionários devem procurar uma das 468 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da capital e apresentar os documentos necessários para cada categoria.

A lista dos profissionais que poderão ser vacinados a partir de hoje em São Paulo:

  • Trabalhadores da saúde dos hospitais públicos municipais e estaduais;
  • Trabalhadores da saúde da rede de atenção à saúde municipal (Secretaria Municipal da Saúde, Coordenadorias Regionais de Saúde e Supervisão Técnica de Saúde);
  • Trabalhadores de saúde de Serviços de Diagnóstico na Cidade de São Paulo: que realizam coleta e análise de amostra de RT-PCR e exames de imagem;
  • Trabalhadores de Saúde das Equipes de serviços de ambulância que fazem transporte/remoção de pacientes com Covid-19;
  • Profissionais sepultadores, veloristas, cremadores e condutores de veículos funerários;
  • Trabalhadores da saúde das equipes de Instituto Médico Legal;
  • Profissionais auxiliares de necrópsia, médicos legistas e atendentes de necrotério.

A Prefeitura informou que também poderão ser vacinados os profissionais que trabalham nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros Especializados em Reabilitação (CER), Centros de Convivência e Cooperativa (Ceccos), Unidades de Referência à Saúde do Idoso (URSI), Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), Serviço de Atenção Especializada (SAE), Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), Ambulatório de Especialidades (AE), AMA Especialidades, Hospitais Dia (HD), Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST) e Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica (SIAT).

O governador de São Paulo, João Doria, disse nesta quarta-feira (17) que o Instituto Butantan antecipará em um mês a entrega de 54 milhões de doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde. O início da distribuição nacional estava previsto para o final de setembro, mas agora a instituição ligada ao governo paulista pretende fazer a última entrega de doses da vacina contra a Covid-19 ao governo federal no final de agosto.

Os 54 milhões de doses se somam aos 46 milhões de doses que a pasta chefiada pelo ministro Eduardo Pazuello já havia contratado para o início do plano nacional de vacinação. O Ministério confirmou a compra que totaliza 100 milhões de doses da CoronaVac ontem, antecipando uma decisão que podia tomar por contrato até o final de maio.

O Ministério da Saúde informou ter garantido mais 54 milhões de doses da vacina CoronaVac contra a Covid-19. A pasta acrescentou ter assinado novo contrato com o Instituto Butantan, que desenvolve o imunizante em parceria com o laboratório Sinovac. A previsão, considerando os 46 milhões de doses já contratadas, é distribuir aos estados 100 milhões da vacina até setembro.

Segundo o ministério, além da CoronaVac, o Brasil recebeu mais 42,5 milhões de doses de vacinas fornecidas pelo Consórcio Covax Facility até dezembro. Também foram contratadas mais 222,4 milhões de doses de vacina contra covid-19 em produção pela Fundação Oswaldo Cruz, e parte desses imunizantes já começou a ser entregue mês passado.

A ausência de uma coordenação federal que elenque os critérios de prioridade para a vacinação contra a Covid-19 no Brasil fez com que a responsabilidade de definir os grupos a serem vacinados prioritariamente caísse no colo dos estados e municípios.

O resultado disso é que cada cidade elabora um plano diferente e vacina pessoas jovens fora de qualquer grupo de risco, desde esteticistas até professores de pilates. Todos os estados estão seguindo o Plano Nacional de Imunização, que estabeleceu entre as prioridades “profissionais da saúde”, sem definir quais setores integram o grupo ou a prioridade de cada setor — levando em conta que ainda não há doses de vacina para todos.

Enquanto o número global de novas mortes pela Covid-19 sofreu uma queda importante na última semana, as taxas referentes ao Brasil não acompanham a evolução global. De acordo com o levantamento semanal da OMS sobre a pandemia publicado nesta terça-feira, foram 81 mil mortes na semana no mundo, 10% a menos que nos sete dias anteriores. Já no Brasil, os índices não perdem força.

Na semana que terminou no dia 14 de fevereiro, o país viu um leve aumento de 1% no número de novas mortes, num total de 7,4 mil vítimas fatais. Uma semana antes, a taxa havia recuado em 1%. Mas a tendência de queda não se manteve. Em comparação aos dados de janeiro e do início de fevereiro, a taxa atual representa ainda uma elevação importante. Em meados do primeiro mês de 2021, foram cerca de 6,7 mil vítimas fatais no Brasil por semana. No final do mês, a taxa tinha atingido 6,9 mil.

Se o Brasil patina, no resto do mundo os dados por continente refletem um cenário mais positivo. Na Europa, as medidas de distanciamento social e uso de máscaras conseguiram reduzir as mortes em 19% na semana, além de uma queda de 21% na África e 9% no Sudeste Asiático. Já nas Américas, a queda também foi registrada, mas em apenas 2%. Nos EUA, a redução foi de 5%. Mas insuficiente para retirar o país da liderança mundial em termos de mortes semanais, com 21 mil casos.

O governo do Reino Unido diz que espera transformar a covid-19 em uma doença administrável, como a gripe. A vacinação e os novos tratamentos, argumentam os ministros e seus consultores científicos, vão reduzir a taxa de mortalidade e nos permitir conviver com o vírus — em vez de tentar combatê-lo constantemente.

Em entrevista recente ao jornal Daily Telegraph, o secretário de Saúde britânico, Matt Hancock, afirmou esperar que, até o final deste ano, seria possível fazer com que a covid-19 se tornasse “uma doença tratável”. Novos tratamentos sendo desenvolvidos e as vacinas sendo administradas representam, nas palavras do ministro, “nosso caminho rumo à liberdade”.

Ficar na China, até mesmo em Wuhan — cidade considerada o primeiro epicentro da Covid-19 —, teria sido mais seguro durante a pandemia do novo coronavírus do que voltar para o Brasil. Essa é a opinião de alguns dos brasileiros que deixaram o país asiático no começo do ano passado para retornar ao território nacional.

Foi em 9 de fevereiro de 2020 que 34 brasileiros retornaram ao Brasil em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) após diversos apelos. Eles estavam em Wuhan e, na época, a China já tinha 34 mil casos confirmados de infecção e 718 mortos pelo novo coronavírus. Como o Brasil não tinha registros de ocorrências até então, o desejo de retorno era compreensível. Muitos preferiram retornar para suas famílias.

O avanço do número de casos de coronavírus relacionados a variantes possivelmente mais transmissíveis pede que medidas mais duras de enfrentamento à pandemia sejam estabelecidas. É o que afirma a infectologista Ana Luiza Gibertoni, brasileira que trabalha no Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e acompanhou as consequências que a mutação britânica causou no país europeu.

Ana Luiza, que também faz doutorado na Universidade de Oxford, diz que o País precisa de um plano robusto de testagem e sequenciamento genético do coronavírus para conseguir combater a pandemia. Medidas de confinamento da população, com controle rígido, também precisam ser implementadas para evitar que as novas variantes se espalhem e se tornem dominantes. Manter as mesmas estratégias pode levar ao aumento significativo de casos, internações e mortes nos próximos meses.

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O painel é composto pela síntese de casos, óbitos, incidências e mortalidade das infecções pelo coronavírus no Brasil, resultado da soma de dados das Secretarias Estaduais de Saúde, divulgados pelo Ministério da Saúde
O panorama geral feito pela Universidade John Hopkins, dos EUA, mostra que o mundo tem 109.617.818 pessoas infectadas pelo coronavírus. Os EUA é o país que lidera o ranking com 27.757.609 infectados, seguido por Índia e Brasil, com 10.937.320 e 9.921.981 respectivamente.

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