Profissionais fazem limpeza de estações de metrô no Rio de Janeiro - Foto: Agência Globo

1 de abril de 2020

Observatório do Coronavírus #59

Ministério da Saúde estima grande desafio no enfrentamento ao coronavírus em abril, quando acontecerá pico de contágio; Pesquisadores brasileiros desenvolvem aparelhos médicos de baixo custo para ajudar hospitais

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Iniciou hoje o mês que será o mais desafiador para as autoridades brasileiras: em abril o Ministério da Saúde estima colocar em prática parte das preparações de enfrentamento ao novo coronavírus. O cenário de transmissão comunitária cada vez mais consolidado e a impossibilidade de isolamento social em comunidades mais vulneráveis têm sido pontos preocupantes e motivo de discussão do Gabinete de Crise contra a COVID-19. 

A explosão de casos e sua consolidação em regiões conectadas aos grandes centros é o cenário estimado para as próximas semanas. Outra preocupação das autoridades de saúde é que o pico de contágio do coronavírus coincidirá com a transmissão de outras doenças sazonais que chegarão com a queda das temperaturas, como a dengue e a influenza. 

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, reconhece o problema e revela que a estratégia para conseguir suprir a demanda das regiões mais vulneráveis é a instalação de hospitais de campanha e a utilização de hotéis, estádios e navios como espaço adaptado para atender a essas pessoas. A pasta atualizou na tarde de hoje seu balanço oficial, contabilizando 6.836 casos confirmados e 240 mortes em decorrência da doença.

Apesar dos dados preocupantes, um estudo afirma que a epidemia do novo coronavírus no Brasil está evoluindo de forma mais controlada do que em outros países, como China, Itália, Espanha e Estados Unidos. As conclusões estão em uma nota técnica do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, grupo de especialistas da PUC-RJ e da Fiocruz que está acompanhando a evolução da COVID-19 no Brasil. O Núcleo faz projeções de curto prazo em três cenários: otimista, mediano e pessimista. 

O levantamento informa que os casos confirmados no país ultrapassaram a predição pessimista em meados de março, indicando um rápido crescimento da epidemia em relação aos demais países. Mas a tendência de diminuição do crescimento foi confirmada nos últimos dias do mês passado, quando os casos estiveram entre o cenário otimista e o cenário mediano. 

Embora parte deste efeito possa se dever às medidas de contenção, os pesquisadores ressaltam que o Brasil apresenta duas dificuldades na mensuração do total de casos positivos identificados: a ausência de uma política de testagem ampla e o atraso na obtenção dos resultados e notificações.

Os casos de mortes sem diagnóstico é um dos indícios de subnotificação por coronavírus, especialmente depois da publicação de uma resolução que flexibiliza a maneira como os óbitos são atestados em São Paulo. A nova regra do Governo de São Paulo estabeleceu que a confirmação da causa de óbitos por coronavírus não pode ser feita por autópsia, pelo risco que isso pode representar aos profissionais que realizam o procedimento, já que um corpo ainda pode transmitir o vírus até 72 horas após o falecimento. 

São Paulo registrou mais de 800 novos casos confirmados e 23 mortes em apenas 24 horas. Especialistas afirmam que esse crescimento mais intenso já era esperado na região e no país neste momento da pandemia, especialmente diante do maior número de laboratórios credenciados para realizar exames e do grande número de amostras que ainda esperam para ser testadas. Eles também dizem que picos ainda maiores estão por vir. Com o aumento da rede de laboratórios credenciados, acredita-se que os casos de subnotificação diminuirão e as taxas poderão ser mais assertivas.

Engenheiros da Escola Politécnica da USP desenvolveram um ventilador pulmonar para uso em emergências que pode ser produzido em até 2 horas e que custa 15 vezes menos que os aparelhos disponíveis no mercado. Batizado de “Inspire”, o aparelho de baixo custo é produzido com tecnologia e componentes nacionais com objetivo de suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar durante a pandemia do coronavírus. O custo estimado do Inspire será de R$ 1 mil reais, enquanto o ventilador mais barato no mercado custa R$ 15 mil. O protótipo está pronto e está sendo testado e produzido em laboratório. A expectativa é que eles estejam disponíveis para os hospitais em meados de abril.

Os pesquisadores que buscam soluções para o combate à pandemia também estão atuando no ambiente digital, fornecendo dados confiáveis para que governos e pessoas se preparem para lidar com o crescimento da doença. Entre os aplicativos está o Coronacidades, que mostra o número de leitos e respiradores em cada município através de dados do SUS, e calcula quantos serão necessários para atender os pacientes com a COVID-19, entre outra funcionalidades. 

A ferramenta foi criada para ajudar as prefeituras a se preparar para atender os doentes e permite que sejam simuladas diferentes iniciativas de contenção, como o isolamento social, o fechamento de comércio e a proibição de circulação. Já o MonitoraCovid-19 permite monitorar a pandemia e mostra o avanço da doença em todo o país. Também é possível comparar os dados brasileiros com os de países que estão em graus mais avançados da pandemia.

Em meio à crise causada pela pandemia, destacamos a solidariedade. Um grupo de chineses que vivem no Brasil fizeram uma doação no valor de R$160 mil em equipamentos de proteção individual e álcool-gel para o Hospital das Clínicas, que fica na capital paulista. O objetivo do grupo é ajudar na prevenção e no combate ao coronavírus em São Paulo. A iniciativa foi recebida por um visivelmente emocionado superintendente da Instituição, Antônio José Rodrigues Pereira. De acordo com Antônio, “a importância dessa ajuda é vital. Muito mais do que qualquer coisa em relação a essa doação, é a solidariedade que está acontecendo hoje no país.” Veja como foi a entrega:

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A China anunciou novas medidas para garantir a qualidade das exportações de suprimentos médicos para os países que estão na batalha contra o coronavírus. A partir de hoje, as empresas que exportam kits de teste para a COVID-19, máscaras faciais médicas, trajes de proteção, respiradores e termômetros infravermelhos precisarão fornecer documentação extra contendo uma declaração de que os produtos são oficialmente registrados no país e que atendem aos padrões de controle de qualidade dos respectivos destinos de exportação. As novas medidas vão garantir que episódios como o que aconteceu com a Espanha não se repitam

O governo espanhol adquiriu no final de março 640 mil testes rápidos para a COVID-19 da empresa chinesa Bioeasy, mas os dispositivos se mostraram ineficazes na comprovação da doença. O Ministério do Comércio da China afirmou que a Bioeasy não tinha licença de operação e ofereceu ao governo espanhol uma lista de empresas licenciadas. 

Em meio ao combate ao coronavírus, o governo chinês anunciou o fortalecimento do suporte financeiro oferecido às micro e pequenas empresas do país. A extensão dos benefícios ao setor é de um trilhão de yuans (cerca de US$ 141 bilhões). As empresas poderão pegar empréstimos com taxas de juros preferenciais e serão estimuladas a levantar fundos através de emissão de bônus e financiamento de contas a receber. 

A Comissão Nacional de Saúde da China confirmou que mais de 76 mil pacientes estão curados da COVID-19. Os dados divulgados hoje um total de 81.554 casos e 3.312 mortes na China Continental até a noite de ontem, 31 de março.

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Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município

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