Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

9 de maio de 2020

Observatório do Coronavírus #97

Mais de R$2 bi destinados ao combate à pandemia no Brasil estão parados; Lockdown no Maranhão tem baixa adesão nos primeiros dias

Foto de capa: Rodolfo Buhrer/Reuters

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Mais de R$ 2 bilhões destinados exclusivamente ao enfrentamento do coronavírus em estados e municípios estão parados há mais de um mês. O dinheiro é proveniente de emendas parlamentares de bancadas estaduais, e foi anunciado em 2/4, por meio da Medida Provisória 941. Os R$ 2,1 bilhões da MP 941 foram solicitados pelas bancadas parlamentares estaduais, por meio de emendas, como uma forma de realocar parte do orçamento para o combate à COVID-19. Até a última quarta-feira (6/5), R$1,48 bilhão desta soma são considerados “comprometidos”, ou seja, reservados para pagamento. Porém, nem um centavo foi pago, efetivamente.

Esses R$2 bilhões são uma parte do orçamento de quase R$12 bilhões vindos de emendas, sejam de bancadas, ou por ações individuais, previstos para 2020. Deste total, quase R$7 bilhões já foram reservados e cerca de R$4 bilhões já foram pagos. De acordo com o Ministério da Saúde, a verba destinada ao combate à Covid-19 proveniente de emendas é de R$ 8,4 bilhões sendo que R$ 5,2 bilhões são de emendas individuais e R$ 3,2 bilhões vêm de emendas de bancada.

 

Lockdown no Maranhão é marcado por ruas lotadas e trânsito intenso

O governo de São Luís estabeleceu na última terça-feira (5/5) o lockdown da capital e da região metropolitana, que engloba 3 outros municípios. O objetivo da medida é evitar o colapso do sistema de saúde local, onde a ocupação das unidades de tratamento intensivo da rede estadual atingiu 100% no fim de abril. O decreto estabeleceu a proibição de circulação de veículos particulares, a não ser para comprar alimentos ou atendimento médico, a entrada e saída de veículos da ilha e o fechamento de qualquer comércio não essencial.

No entanto, dados de monitoramento do isolamento social em São Luís mostram que, apesar de mais gente ter ficado em casa, ainda assim isso não é suficiente para controlar a epidemia na cidade, onde foram registrados mais de 63% dos 5.900 casos confirmados no Maranhão até a última quinta-feira (7/5). 

Atualmente, a média de adesão ao bloqueio total é de 53%. O epidemiologista Antonio Augusto Moura da Silva, professor do departamento de Saúde Pública da Universidade Federal do Maranhão, afirma que o patamar não é suficiente, e explica que o índice teria de ser de cerca de 70% para fazer com que o número de novos casos pare de crescer e comece a cair.

De acordo com um levantamento do jornal O Globo, outros 6 estados brasileiros têm o sistema de saúde estrangulado pela falta de leitos hospitalares e acumulam condições que tornariam o lockdown a política mais eficiente contra a Covid-19. São eles: Amazonas, Ceará, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo — todos com mais de 80% das vagas de UTI ocupadas.

Adotado como última cartada em países como França, Itália e Espanha, o lockdown é visto como uma radicalização das medidas de isolamento social, uma vez que a quarentena decretada após a chegada da COVID-19 não obteve a adesão esperada da população. Dados do Imperial College afirmam que cada infectado no Brasil transmite a doença para três pessoas. É o maior índice visto no levantamento, realizado em 48 nações. Se menos pessoas estão na rua, há menos possibilidade de contágio.

Além de São Luís, Fortaleza e Belém também iniciaram o bloqueio nesta semana, e governantes cogitam aplicar multas em indivíduos que circulam sem obedecer as restrições previstas nos decretos municipais. Niterói, no estado do Rio de Janeiro, adotará a medida na próxima segunda-feira, (11/5). Na capital fluminense, que cogita aderir à medida restritiva, 353 pacientes da rede pública com suspeita ou diagnóstico aguardam transferência para UTIs, que podem ser reguladas para as diferentes redes, seja ela municipal, estadual ou federal.

A secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro informou ontem que recebeu apenas 52 respiradores dos 1 mil que foram comprados pelo Governo do Rio para o tratamento da COVID-19. Além do grande atraso na entrega, os equipamentos recebidos são diferentes dos que foram requisitados na compra e não servem para o tratamento da doença.

O hospital de Campanha do Maracanã, na capital do RJ, sofreu um princípio de incêndio na manhã de hoje (9), no dia em que vai ser inaugurado. Ele foi construído em 38 dias e funcionará na área externa do estádio. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, uma equipe de brigadistas do hospital controlou o fogo causado por um curto-circuito. A estrutura e os equipamentos não foram danificados e o hospital está pronto para receber pacientes encaminhados pelo sistema de regulação. 

Segundo o Governo do Estado, neste fim de semana serão abertos 170 dos 400 leitos do hospital, sendo 50 de UTI e 120 de enfermaria. Os outros 230 ainda vão ser finalizados e serão entregues à população até a próxima sexta-feira (15/5). O governador Wilson Witzel afirmou que o hospital tem uma complexidade maior que o feito na China, em 30 dias.

De acordo com uma estimativa do Imperial College de Londres divulgada ontem, cerca de 3,3% da população de São Paulo, 3,35% do Rio e 10,6% do Amazonas já devem ter se infectado com o novo coronavírus. Para São Paulo, isso representa cerca de 1,5 milhão de pessoas. No Rio, 582 mil; no Amazonas, cerca de 448 mil contaminados. A estimativa, feita para os 16 estados brasileiros com mais casos até o momento é de que cerca de 4,2 milhões de pessoas já foram contaminadas.

De acordo com o último balanço divulgado pelas Secretarias Estaduais de Saúde, o Brasil registrou 751 óbitos em apenas 24 horas, ultrapassando o número diário de mortos no Reino Unido e ficando atrás apenas dos EUA.

 

Pesquisadores brasileiros criam cabine de desinfecção contra coronavírus

 

Pesquisadores do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual do Maranhão criaram uma ‘cabine de desinfecção’ para o combate ao novo coronavírus. Sua função é higienizar o corpo inteiro das pessoas, especialmente em ambientes hospitalares ou com grande possibilidade de aglomeração, como shoppings, terminais, ambientes escolares e supermercados.

De acordo com o professor Kaio Nogueira, a cabine utiliza uma tecnologia diferenciada e de baixo custo, além de ser eficaz no combate a vários vírus e também bactérias.

 

Vacina segue para segunda fase de testes nos EUA

 

Uma vacina contra o coronavírus da farmacêutica estadunidense Moderna recebeu o aval da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos e seguirá para a segunda fase de teste. O anúncio foi feito pela própria empresa. A Moderna começou a testar sua vacina em março em 45 adultos saudáveis na cidade de Seattle. A fase 1, que acabou de ser completada, consiste em entender a segurança e a dosagem da vacina. Agora na fase 2, os pesquisadores irão testar a eficácia e os efeitos colaterais da vacina em cerca de 600 pessoas.A expectativa é começar a fase 3 no verão do hemisfério norte.

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Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município
Gráfico do Ministério da Saúde de casos acumulados de pessoas infectadas e óbitos

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