Foto: EFE/ Orlando Barría/Archivo

10 de maio de 2020

Observatório do Coronavírus #98

Quase 62 mil pessoas se recuperaram da COVID-19 no Brasil; Dos 4 milhões de casos confirmados no mundo, 1,3 milhão tiveram alta dos hospitais

Foto de capa: EFE/ Orlando Barría/Archivo

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O último balanço do Ministério da Saúde aponta que quase 62 mil pessoas se recuperaram da COVID-19 no Brasil. Em meio às más notícias sobre o avanço da pandemia, o dado serve de alento. O total de pacientes que estão conseguindo vencer a doença representa quase 40% das mais de 155 mil pessoas infectadas.

No mundo, os índices também são positivos. Dos cerca de 4 milhões de casos confirmados, em torno de 1,3 milhão são de pacientes que tiveram alta dos hospitais. Os dados são da Universidade John Hopkins, que compila informações em tempo real de milhares de fontes no mundo.

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo e por pesquisadores da Inglaterra e da Itália apontou um possível novo mecanismo de ação do medicamento heparina, um anticoagulante, no tratamento da COVID-19. Além de inibir distúrbios de coagulação que podem afetar vasos do pulmão e prejudicar a oxigenação, o medicamento parece também ser capaz de dificultar a entrada do novo coronavírus nas células. Os pesquisadores realizaram testes de laboratório em linhagem celular proveniente do rim do macaco-verde africano e a heparina reduziu em 70% a invasão das células pelo vírus. 

Em entrevista, Helena Bonciani Nader, professora da UNIFESP e coordenadora do projeto entre os brasileiros, afirmou que existiam indícios de que a heparina também tinha capacidade de prevenir infecções virais, incluindo por coronavírus, mas as evidências não eram muito robustas. Entretanto, os pesquisadores conseguiram comprovar essa propriedade do medicamento em ensaios in vitro. 

 

Lista de sintomas da doença aumenta semanalmente

A lista de sintomas provocados pelo novo coronavírus aumenta a cada semana e poucos órgãos parecem a salvo da doença, com formas que variam de benignas a muito graves. A doença parece causar problemas da cabeça à ponta dos pés, passando pelos pulmões ou os rins.

Especialistas afirmam que não é raro que um vírus provoque tantas manifestações, mas alguns sintomas da COVID-19 como a perda de olfato ou a formação de coágulos sanguíneos parecem muito específicos desta epidemia.

Médicos suspeitam que a doença pode ser responsável por quadros inflamatórios “multissistêmicos” raros, que se assemelham a uma forma atípica da doença de Kawasaki ou uma síndrome de choque tóxico, que ataca as paredes das artérias e pode provocar uma falência dos órgãos. Também descrevem outras consequências potencialmente letais da doença, como acidentes vasculares cerebrais e problemas cardíacos. Além destes, há suspeitas de complicações urinárias, problemas renais agudos e alterações nos hormônios sexuais masculinos, motivo pelo qual aconselham os jovens que desejam ter filhos que consultem um médico após a recuperação.

 

Coronavírus no mundo

Vários países europeus, como França e Espanha, viveram neste domingo o último dia de confinamento, entre alegria e medo de uma segunda onda de contágios do novo coronavírus. 

Um exemplo desse novo momento é a Coreia do Sul. Considerada um modelo na gestão da crise, depois de conter a propagação do vírus e flexibilizar as restrições, a prefeitura de Seul se viu forçada no sábado a fechar todos os bares e clubes ante um novo e evidente aumento dos casos de COVID-19. 

O presidente sul-coreano Moon Jae-in declarou neste domingo que os novos casos de contaminação “estabeleceram a consciência de que mesmo durante a fase de estabilização, situações similares podem surgir novamente a qualquer momento”. 

Novas infecções por coronavírus estão acelerando novamente na Alemanha, dias depois de as restrições sociais serem afrouxadas, levantando preocupações de que a pandemia pode mais uma vez fugir do controle. A chanceler Angela Merkel anunciou na última quarta-feira (6/5) medidas que incluem mais lojas abertas e um gradual retorno às escolas, cedendo a pressões de líderes dos 16 Estados federais do país para recomeçar a vida social e reviver a economia.

A cidade de Wuhan, onde a epidemia de coronavírus teve início, divulgou neste domingo seu primeiro novo caso da doença desde 3/4. Segundo autoridades de saúde locais, o paciente está em estado crítico e sua esposa também testou positivo e foi relatada como um caso assintomático. O paciente mora em um bairro que registrou 20 casos confirmados no total. O novo caso é tratado como “infecção comunitária passada”.

 

Coronavírus no Brasil

A epidemia do coronavírus avançou sobre as favelas cariocas, que já concentram ao menos 81 mortes e 422 casos confirmados. Dados da Prefeitura do Rio mostram que os óbitos causados pela doença aumentaram dez vezes em um mês. O total já supera Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 3º lugar no ranking do estado com 60 casos. O cenário é mais preocupante do que indicam os números oficiais. Estudos paralelos coletados nas unidades de saúde da Rocinha e do Complexo da Maré, dois dos maiores conjuntos de favela da capital fluminense, indicam que os óbitos podem chegar a mais que o triplo em comparação aos 24 registros oficiais nessas áreas.

As Secretarias Estaduais de Saúde divulgaram neste domingo um novo balanço, onde constam 10.748 mortes provocadas pela COVID-19 e 157.500 casos confirmados da doença em todo o país.

Voos entre o Brasil e Miami podem ser suspensos por causa do crescimento da pandemia no país sul americano. As recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Brasil tem alto número de mortes, sinalizaram a empresários e autoridades americanas ligadas à comunidade brasileira que o avanço da pandemia no país preocupa. 

Na semana passada, ao receber na Casa Branca o governador da Flórida, Ron De Santis, Trump perguntou se seria necessário suspender os voos do Brasil. A hipótese já tinha sido levada ao presidente antes pelo prefeito de Miami, Francis Suarez. A Casa Branca, assim como o governador da Flórida, evita fazer críticas à estratégia adotada pelo Brasil, mas há diplomatas brasileiros que admitem, nos bastidores, que a restrição de voos será adotada se o número de casos no Brasil continuar a crescer.

ACOMPANHE O STATUS DO CORONAVÍRUS NO BRASIL EM TEMPO REAL

Mapa de casos no país atualizado em tempo real
Calculadora de pressão assistencial por Estado - A calculadora permite estimar a pressão assistencial esperada em função de incremento de necessidade de internações pelo COVID-19. Todos os parâmetros abaixo podem ser ajustados para melhor refletir a sua realidade local. Uma vez ajustados a simulação considera os novos parâmetros escolhidos para estimar a taxa de ocupação de leitos em cada município
Gráfico do Ministério da Saúde de casos acumulados de pessoas infectadas e óbitos

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